quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Angel

Fotos tiradas por Tiago Torres da Silva


Angel - Malveira, Novembro de 2009
A estória de uma cadelinha, que nasceu diferente do resto da ninhada bem sucedida. Quis o destino que lhe aparecesse a Rossana, na altura certa, salvando-a de ser dispensada antes do tempo...
Ei-la no sítio onde mais gosta de estar (colinhooooooooooo) com a sua nova amiga-de-duas-patas :)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Descida à terra

Este casal chegou com o seu filhote um pouco depois de mim. Adorei a ideia destes pais!
Quase 2 horas depois Peter Murphy ofereceu-lhe uma garrafa de água, deu-lhe a mão, levou-o para o palco e pegou-lhe ao colo :)


Lettie fez a primeira parte. Gostei da atitude, da voz, dos temas. Encantadora a forma como se movimentava entre as teclas e o 2º micro.



Abre-se a cortina e num estilo glamouroso Peter Murphy desce as escadas.  O palco é dele. Nós também!



O 2º guitarrista é excepcional. Não fazia parte da banda que há 1 ano se apresentou no Coliseu. O som é intenso e os arranjos mais diversificados. A cumplicidade entre todos salta à vista com os saltos em conjunto em forma de piruetas. Os músicos alinham com a expressão corporal do cantor de culto.


Espalhou charme, humor, simpatia ("Sem pessoas como vocês, artistas como nós não poderiam existir") fez quilómetros circulares no palco, coreografou a imagem de Deep vezes sem conta (sempre gostava de saber como consegue cantar de cabeça para baixo...) e a sua voz, melhor que nunca, trouxe-nos temas novos que aguardamos, já com alguma impaciência, na forma de um cd!


Cada vez mais dedicado ao seu público entrega-se-lhe com tudo o que tem, mesmo quando recorre a certos truques cénicos, tão simples, como o de puxar o capuz e cantar na penumbra "Time Has Got Nothing to Do with It". Sente-se que adora o que faz.


A meio do concerto a secret cover "In Every Dream Home A Heartache" (Roxy Music).
No último encore (foram 3!) , Transmission e Space Oddity. Nesta, banda e cantor deitam-se no palco. É assim que a viagem acaba e nós a gravitar nos dias seguintes...

 Hoje iniciei a descida...

Com muita pena minha, não pude tirar as fotos que desejava. O palco desta vez ficou um pouco longe e com cadeiras de permeio não dava para saltar de lugar. Se bem que, já sem aguentar mais, saltei da cadeira para cantar Cuts you Up!


1 Burning From The Inside
2 Velocity Bird
3 Peace To Each
4 Disappearing
5 I'll Fall With Your Knife
6 In Every Dream Home a Heartache (Roxy Music)
7 Marlene Dietrich's Favorite Poem
8 Time Has Got Nothing To Do With It
9 Secret Silk Society
10 Too Much 21st Century
11 Secret
12 The Prince And Old Lady Shade
13 Uneven And Brittle
1º encore
14 Strange Kind Of Love / Bela Lugosi's Dead
15 She's In Parties
16 Gliding Like a Whale
2º encore
17 Cuts you Up
3ºencore
18 Transmission (Joy Division)
19 Space Oddity (David Bowie)
Oh noite de lua cheia mais memorável!
Desejou-nos um feliz Halloween e que Deus nos abençoasse.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Protesto I







Um gato que adora cães... e pensa ter 4 para brincar à maluca...
A Tribo está confusa. Os dias sossegados já eram.

Para o plácido Jembé é o horror. Ficou estupefacto com a abordagem de Kerouac , que se atirou ao pescoço como um pitbull, mas a brincar. Em 9 anos de vida nunca tal lhe havia acontecido.

Tanto vigor, tanto ímpeto, que aventureiro é este? Sou o primogénito da casa. Imprimi um ritmo zen à Tribo e agora está tudo fora de controle. O tapete enrugado, bolas de papel espalhadas pelo chão, os meus condiscípulos com os nervos em franja, o meu sofá com o intruso lá instalado a arreganhar-me o dente... Não me importo que coma da minha gamela, que beba da minha taça, mas incomodar a minha existência meditativa? Que faço, mãe-de-2-patas? Tens que o pôr na ordem. Eu quero uma velhice sem sobressaltos... O meu coração não aguenta... já sabes que estou assim para o cheio ( APESAR dos ESFORÇOS para manter a dieta), não ando a correr feito doido pela casa fora, não posso. Já foi tempo, quando era mais novo, agora não me apetece fazer essas figuras e este a querer à força brincar às lutas... Ahhhhhhhhh as minhas noites tranquilas... porque o deixaste sair do escritório? Tinha-o só para ele, ficava lá muito bem e à vontade e mais importante que isso... VÊS? VÊS ? Ainda agora saltou de novo para cima de mim. Nem me deixa protestar até ao fim! Vou-me zangar MUITO. Estou aqui, estou a fazer uma coisa que nunca fiz como protesto. Fora do WC. Vais ver.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Peter Murphy

Coliseu dos Recreios, noite memorável esta.

Escrevi no meu diário:

Quando cheguei aos Restauradores vi uma enchente de veludos, rendas, top hats, e corpetes. Eles e elas muito brancos, olhos sublinhados a khol, alguns acabados de sair dos seus coffins, ou algo parecido, mas muita gente, também, de outras latitudes estéticas e faixas etárias...

 

Foi uma ave, um bailarino, um actor, um cantor, imenso, gigante.
Brincou com a luz e a sombra, as mãos lindíssimas,(dois cachuchos fantásticos sobressaíam do indicador e anelar) acenavam, contraíam-se, tentavam tocar-nos. Deu tudo ao público, incluindo muita simpatia. Elogiou o Coliseu e a cidade de Lisboa (e não viu ele, ainda, a beleza de Torres Novas....) transformou-se em cada segundo , qual semi-deus, ora no gótico primordial, ora no étnico-sufi, ora vogando pelo acústico, ora rasando num explosivo rock. E nós, mortais, ouvimo-lo numa intensidade impossível de descrever e muita, muita emoção.



Trepou por um escadote colocado atrás do baterista e subiu, subiu, subiu, enquanto entoava Hurt de Trent Reznor. Seguiram-se muitas mais, Cuts you Up, Deep Ocean, All Night Long, Bela Lugosi's Dead, Huvolla, A Strange Kind of Love, She's In Parties, Deep Ocean...
Uma voz intensa em 2 horas e 3 encores de Retrospective Tour.



Secret Cover, dizem, é mais intimista e irá contar com versões de John Lennon (Instant Karma), David Bowie (Space Oddity) e Joy Division (Transmission).

Lá estarei, como sempre!


30 de Outubro - Centro Cultural de Ílhavo
31 de Outubro - Aula Magna, em Lisboa
1 de Novembro - Casa da Música no Porto

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Kerouac


Dobrava eu a esquina da Calçada António Nunes, a caminho de casa, de guarda chuva em riste, passadas largas e a atender uma chamada, quando se atravessou à minha frente.
Foi tão rápido e inesperado que precisei de parar, olhar, debruçar, para o ver melhor. Quando dei por mim já o tinha ao colo. Trepou pela gabardina, abriu caminho por entre os sacos que trazia na mão e muito amistoso ronronou felicíssimo protegido da chuva. Olhei para um lado e para o outro. Podia ser dali, ter saído por uma porta ou saltado duma janela. Aguardei que alguém o chamasse. Mas não. No maior dos seus inúmeros charmes esticou as patinhas, de garras retraídas e tocou-me na cara. "Vamos lá para NOSSA casa, não desistas de mim..."

Fui subindo a rua de Valverde, retomei a fala para explicar aquele encontro tão irreal e do lado de lá instigavam: "É claro que o vais levar contigo!" "É claro que vou... não sei bem o que me espera com a Tribo, mas vou!"


Durante a viagem pedestre, instalado como num trono, Kerouac olhava em todas as direcções para apreciar a paisagem cinzenta. Os ronrons subiam de intensidade.
Porta da rua. Subida de escadas. Chave na porta. A Tribo à espera. Sentados, olhos fixos. Ele nem se apercebeu. Não houve tempo para apresentações. "BANHO. Precisas de um banho".

Nunca na minha vida vi um gato cooperar tanto. Sem drama, sem um som agressivo, deixou-se ensaboar, apreciou a água do chuveiro morninha, ajeitou a cabeça de forma a poder limpar-lhe as orelhas, esperou pacientemente que lhe secasse o pêlo com o secador... sempre a conversar sobre o que tinha vivido.


Instalei-o no escritório para poder descansar sem se sujeitar às inspecções da Tribo. Fiz-lhe uma cama especial com almofadas e um edredon de penas. WC numa ponta, comida e água na outra. Comeu, comeu, comeu, comeu... bebeu, bebeu, bebeu. Arranjei umas bolinhas em papel de alumínio para brincarmos um pouco. Brincou, brincou.
Enquanto isso vim cá fora amiúde para explicar à Tribo que era o novo elemento e que, tal como eles, veio da rua. "Não se esqueçam que já passaram por isto. Com o tempo vão-se habituar à presença dele e dar-se bem".
Os 4 agachados, pescoços esticados, vigilantes junto à porta.

"Estou sim, Dr.ª Vera? Preciso que venha a minha casa. Não, não, a Tribo está muito bem de saúde. O Jembé está um bocadinho gordo e a Oriana parece querer seguir a mesma tendência... Ahhhhh a Sophia e o Gabriel uma maravilha. São óptimos caçadores de moscas! Quem os viu tão pequeninos, cabiam na palma da mão... pois... sabe... é que... (gargalhada)... encontrei outro, saltou para o meu colo como se me conhecesse há séculos. Que podia fazer? Chove tanto..."


Kerouac? Sim, faz hoje 40 anos que foi por uma estrada diferente...


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Música: Hey Jack Kerouac - 10000 Maniacs