O Pássaro expõem nas suas penas a inocência e as distâncias. Aguarda o olhar sobre o infinito das suas asas. Brinca com a inércia que levo a tiracolo. Desafia a probabilidade de me acertar em cheio apesar do aviso e do grito.
Holoteta é uma pessoa ligada ao computador da nave espacial que, através dos seus pensamentos, dirige a sua deslocação "por meio de um conjunto estabelecido de curvas através de uma série conhecida de configurações". Algumas holotetas transcendem a mera experiência de ligação com o computador. in O Bailado das Estrelas de Spider e Jeanne Robinson (1979)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Ary
Se o poeta fosse vivo teria feito 73 anos. Dia 7 de Dezembro, Rua da Saudade...
Poeta castrado não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Poeta castrado não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
(É assim que o recordo!)
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Voz de Dentro
A lembrança suspensa por um fio cola-se à nostalgia desvanecente. Enrolada em mim, testa nos joelhos, braços em cruz, punhos fechados, vejo imagens confusas através da parede. Já quase sem as poder distinguir apuro o ouvido. Se um dos sentidos não está aferido outro tornar-se-à preciso. Preciso saber que lugar ameno é este. Quanto tempo? Quase 273 dias… Cansa-me esta imensidão aquática. Não vejo o sol nem a lua. Não vejo para fora. Episódios vagos tracejam uma forma de vida nómada, faminta, colorida, de movimentos que aqui não consigo manter coordenados. Dançava entre o deserto, meu mundo, e alguns oásis de madrepérola rara. Uma icharb ondulante deixa revelar cabelos de Henna. A salguta instiga o bendir. Os snujs afugentam os maus espíritos. Uma rota talhada como o nay. Um sopro divino uno.
Não me apercebi da mudança, mas já anseio pelo que ainda não sei.
Algo me acalma. Parece ser uma voz. Sim, canta para dentro. Quero espreguiçar, abrir estes braços, desfazer esta forma de novelo que sou, preciso estender-me como o deserto. A voz junta-se a outras. Alegram-me e entristecem-me.
Numa madrugada abafada fiquei ansiosa. A voz que cantava para dentro calou-se. Senti um tumulto de águas medonhas. Tive medo, tive curiosidade. Havia dor e foi a primeira que senti. Fui lançada e puxada. Vozes indistintas troaram aos meus ouvidos. Viraram-me de cabeça para baixo, aprendi o primeiro choro. Não conheço ninguém. Embrulham-me em panos que não são abaias. Mas, o que são abaias? Estava a lembrar-me de quê? Algo suave como uma mão faz-me festas na cara. Sinto o perfume de jasmim e rosas de uma memória antiga que agora volta ao princípio.
" É uma menina! Tem olhos de amêndoa."
Um som curioso distingue-se do resto. Sei o que é. Música! Mas que música?
Chegou-me ontem da América - diz o pai para a mãe - Está a ser um sucesso enorme por lá, dizem-me que não toca outra coisa na rádio! É cá um artista este Elvis, um bocado selvagem, enfim… Sabias que lhe chamam Elvis the Pelvis? Nunca lhe podem fazer plano americano, só da cintura para cima… estás a vê-lo aqui todo aprumado de farda? … Se quiseres ponho outro disco no pick- up. Se calhar é melhor não é?... estás a recuperar do parto... Ella Fitzgerald... vais gostar! Tu sempre preferiste vozes de contralto.
*
Música
Oum Kalsoum - El Sett, 1936
Elvis Presley - A Big Hunk O' Love (1959)
Ella Fitzgerald – My Old Flame (Radio Recorders Hollywood, 1959)
Glossário
Icharb – Lenço que as mulheres usam na cabeça
Salguta – grito das mulheres berberes usado em casamentos e despedidas
Bendir - pandeiro grande feito de pele de cabra e madeira
Snujs – pequenos címbalos usados na dança do ventre
Nay - instrumento de junco simples, com as duas pontas abertas, com 5 a 7 (mas normalmente 6) furos, sem bocal.
Abaia – capa de lã beduína usada à noite para aquecer.
Música
Oum Kalsoum - El Sett, 1936
Elvis Presley - A Big Hunk O' Love (1959)
Ella Fitzgerald – My Old Flame (Radio Recorders Hollywood, 1959)
Glossário
Icharb – Lenço que as mulheres usam na cabeça
Salguta – grito das mulheres berberes usado em casamentos e despedidas
Bendir - pandeiro grande feito de pele de cabra e madeira
Snujs – pequenos címbalos usados na dança do ventre
Nay - instrumento de junco simples, com as duas pontas abertas, com 5 a 7 (mas normalmente 6) furos, sem bocal.
Abaia – capa de lã beduína usada à noite para aquecer.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
100 anos do Futebol em Torres Novas
Foi hoje inaugurada esta exposição, que estará patente até dia 10 de Janeiro, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes. Um óptimo motivo para visitar Torres Novas onde há sempre coisas a acontecer!
Ficam aqui algumas das imagens que contam a história que começou há 100 anos.
O primeiro jogoHá 100 anos realizava-se em Torres Novas o primeiro jogo de futebol de que há registo documental. O jogo já seria conhecido, com toda a certeza. Mas deveu-se a um estudante torrejano em Coimbra, Augusto Moita de Deus, a iniciativa da sua divulgação prática, um acontecimento social que mereceu a atenção da imprensa da vila. Em 15 de Abril de 1909 foi o jogo primordial e o relato dá pormenores sobre os participantes e a assistência (...)
in Guia da Exposição
+de+Imagem+003.jpg)






Ficam aqui algumas das imagens que contam a história que começou há 100 anos.
O primeiro jogoHá 100 anos realizava-se em Torres Novas o primeiro jogo de futebol de que há registo documental. O jogo já seria conhecido, com toda a certeza. Mas deveu-se a um estudante torrejano em Coimbra, Augusto Moita de Deus, a iniciativa da sua divulgação prática, um acontecimento social que mereceu a atenção da imprensa da vila. Em 15 de Abril de 1909 foi o jogo primordial e o relato dá pormenores sobre os participantes e a assistência (...)
in Guia da Exposição
+de+Imagem+003.jpg)






quinta-feira, 26 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
As Asas
Este tema do Chico fez parte do meu reportório durante muitos anos. Fizemos vários concertos juntos, em Portugal e no Brasil, trocámos de dialectos (eu com a Mama África, ele com a Cirigoça) vivemos muita música e grandes momentos.
Voz e Guitarra foi um projecto especialíssimo, totalmente acústico, que reuniu uma série de músicos maravilhosos e excelentes canções. A acompanhar-me está o Amadeu Magalhães.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Etiquetas
- Absurdos (11)
- Animais (36)
- Aniversários (51)
- As minhas Galinhas (4)
- Concertos (12)
- Datas que marcam (12)
- Depressão (17)
- Desabafos (22)
- Diário de bordo (71)
- Divulgação (30)
- Estórias (19)
- Fotografias (37)
- Gatinhos de Rua (5)
- Imagens escritas (99)
- lugares (8)
- memórias (31)
- Meus sons (18)
- Músicas do Mundo (39)
- Na senda dos mestres (25)
- No céu (7)
- Os meus gatos (18)
- PETA (1)
- Poesias (22)
- Prosinhas (48)
- Sob o signo de EOS (40)
- Sobre Gatos (1)
- Sophia (3)
- Sublinhado (35)

