sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dia de Clara


Clara, santa cheia de claridade,
Irmã de São Francisco de Assis,
Intercede pelos teus devotos
Que querem ser puros e transparentes.
Teu nome e teu ser
Exalam o perfume das coisas inteiras
E o frescor do que é novo e renovado.
Clareia os caminhos tortuosos
Daqueles que se embrenham
Na noite do próprio egoísmo
E nas trevas do isolamento.
Clara, irmã de São Francisco,
Coloca em nossos corações
A paixão pela simplicidade,
A sede pela pobreza,
A ânsia pela contemplação.
Te suplico, Irmã Lua,
Que junto ao Sol de Assis
No mesmo céu refulge,
Alcança-nos a graça que,
Confiantes vos pedimos.
Santa Clara, ilumina os passos
Daqueles que buscam a claridade!

Amém!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Passagem das Horas

(...)

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.




(...)

Não sei se a vida é pouco ou de mais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.





Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.





Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há-de ser de mim? Que há-de ser de mim?







in Passagem das Horas, Álvaro de Campos

terça-feira, 13 de julho de 2010

Terras de Miranda do Douro - 3ª parte



Foi neste adro que, em 94, conheci o grupo de pauliteiros, que se estava a formar, constituído por jovens aguerridos à tradição que não queriam perder. A partir desse momento decidi que as primeiras partes dos meus concertos tê-los-iam como expressão máxima da terra que eu queria mostrar.
De então para cá outros jovens têm tomado o gosto por esta arte e em Malhadas todos sabem da importância que isto representa! Não só para eles, mas para um país que tem a sorte de ser nesta variedade cultural.

Terras de Miranda do Douro - 2ª parte

Pingacho!

Eu no meio dos Lengalenga:

David Jantarada - voz, caixa de guerra, percussões tradicionais
Henrique Fernandes - voz, gaita de foles mirandesa, percussões tradicionais, flauta pastoril, tamboril e gaita de beiços
Telmo Ramos - voz, percussões tradicionais, bombo, pandeiro
Dinis Arribas - voz, percussões tradicionais, flauta gaita de foles mirandesa


http://www.myspace.com/lengalengagaiteirodesendim
http://www.lengalenga.net

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Peter Murphy


Ontem foi dia de Murphy :) Não esqueci!!!

Vai actuar no Évora Festival Alentejo a 30 de Julho. O concerto faz parte da digressão A Dirty Dirt Tour, que se inicia em Paris a 29 de Julho.
Conto estar na primeira fila!!!

Terras de Miranda do Douro - 1ª parte

Pormenor de l trajo de las Pauliteiras de Miranda


Un Lhaço


L tocador de bombo

Pormenor de las aplicaçones de las saias. Tengo ua eigual (a la burmeilha) an amarielho!


Ua nuoba geraçon que mantén la tradiçon mirandesa!


Este bolsinho sterior ye ua obra d'arte!

La gaita mirandesa
Cul persidente de la cámara de Miranda de l Douro, l simpatissíssemo Artur Nuns, ne l momiento an que decidi cantar La Çarandilhera (pus que las palabras que queremos dezir por bezes quedan dificeis culas emoçones)



L prémio cun que fui houmenageada
Ancontrei un querido amigo, que nun bie hai cerca de 20 anhos... na altura Ambaixador de Pertual an Angola.


Fernando Andressen atual Ambaixador de la UNESCO

Cula Fernanda Xabier, amiga de Sendin (grande cumpoteira i "licoreira" tradecional, para alhá d'antegrar l grupo de cantares de a tierra de l queridíssemo Pe. António Marie Mourinho)

Mas fui assi hai tanto tiempo????? Hai 17 anhos??????? Tenes la certeza???Nóoooooooooooo


La marabilhosa Sé de Miranda de l Douro

Un pormenor a la mesa de l júri


Ls Lengalenga chegan a la praça...

... a camino de l palco...



... i you juntei-me a eilhes!
Bista de l quarto de la Stalaige de Santa Catarina



Outra bista de l quarto de la Stalaige Santa Catarina (ye claro que la buntade de benir ambora era nanhue...)

De frente para mi estas quelores i estas formas. Momientos cun Dius.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Diário das Festas 5, 6 e 7



Calor e trabalho não combinam...
Noites fantásticas as que se têm vivido no Jardim das Rosas, mas melhor seria se fossem passadas na relva, com uma garrafa de água Fastio (passo a publicidade) e um leque gigante, o que não tem sido o caso. Entre escalas nas mesa e lavagens na banca da cozinha vai-se respirando e suando e sentindo na pele este excesso de graus celsius desmedidos.

Diabo na Cruz em www.ddpeso.net

Diabo na Cruz com B Fachada arrebatou o público, que se juntou à frente do palco e saltou e dançou e gritou e enfim, tudo o que se possa imaginar de contagiante e habitual nestas alturas. A banda iniciou o concerto com uma versão muito original do Eito Fora. Depois foram os sucessos cantados pelo público com o Diabo a atiçar.

Minyeshu em senduq.wordpress.com

Minyeshu na noite seguinte deu tudo de bom e de bonito que tem. É uma presença extraordinária. Dançou, distribuiu simpatia, explicou as várias etnias etíopes e pormenores culturais do seu país, ensinou refrões para o público cantar, elogiou o tempo e a forma amistosa dos portugueses, brindou-nos com algumas palavras em português, que aprendeu neste dia, incentivou à dança, enfim ela fez tudo para marcar esta noite. Da minha parte conseguiu! Alguns mais renitentes não saíram das cadeiras, mas outros desprenderam-se das pequenas vergonhas e soltaram-se sob os gritos triunfais desta beleza que nos foi trazida ao Jardim. Foi lindo!
 
Ontem cozinha comigo, muito pratinho e talheres para lavar que os jantares foram procuradíssimos. A sopa de peixe estava HUMMMMMMMMMMMMMMMMM. Dei dois beijos ao chefe Cerqueira porque ele merece todo o carinho. Não fosse a sua mestria culinária e a coisa não tinha tanta procura!
Foto de Rita Carmo
Anaquim fez das suas. Uma proposta descontraída, bem humorada, muito própria para noites de festas com sorrisos estampados.

Daqui a pouco vou iniciar viagem para Trás os Montes em direcção a Miranda do Douro, onde amanhã se celebrará o 465º aniversário da sua elevação a cidade. O dia é de muita importância para os mirandeses e eu fui convidada pelo presidente da Câmara, Artur Nunes, a participar dos festejos. Com muito gosto!!!
Lura em www.festivalmed.com.pt
Esta noite a Lura actuará pelas 22H e só a vou perder porque a viagem precisa ser feita pela fresca da noite.

O Diário das festas fica por aqui. Outras estórias virão!