
Holoteta é uma pessoa ligada ao computador da nave espacial que, através dos seus pensamentos, dirige a sua deslocação "por meio de um conjunto estabelecido de curvas através de uma série conhecida de configurações". Algumas holotetas transcendem a mera experiência de ligação com o computador. in O Bailado das Estrelas de Spider e Jeanne Robinson (1979)
terça-feira, 27 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Sírius trazido pelo Pastor
Foi o último a deixar a mãe. Estava a brincar com ela quando o chamaram para começar nova vida. Não foi fácil... mas veio. E veio em muito boa companhia porque quem o trouxe ama animais e a natureza, também a humana, ou não fosse o Pastor desta cidade.
Ouvi em muitas das suas homilias apelar ao respeito que todos devem a esta obra de Deus. Ouvi de todas as vezes a urgência de preservar o que estamos quase a perder. É assim que um Pastor fala para a comunidade católica é assim que desperta consciências. É assim que a religião faz parte da vontade de ser melhor e é assim que se cresce no sentido da Luz.
Há vocações inegáveis e o nosso Pastor detém a sua com um carisma fora do comum. Todos sabemos que os grupos são difíceis de gerir e que no seio católico ainda há egos e mentalidades que atrasam o crescimento individual e colectivo. O seu caminho tem sido espalhar a mensagem com alento e fé e lutar de forma solidária e generosa pelo elo mais fraco. Tem sido uma entrega incondicional e com obra feita. Tem sido o motor de muito esforço para angariar fundos e ajudar os que necessitam. E muitas vezes uma palavra de encorajamento é mais que pão para a boca! E muitas vezes uma palavra de gratidão pelo que tem conseguido também seria justa!
Quando cheguei a Torres Novas estava no meu pré-renascimento. Estava a começar do zero em todas as valências. Não sei ao certo porque escolhi ficar nesta cidade. Houve um conjunto de factores que me "disseram" que era aqui a minha casa. Eu senti como se fosse um regresso desejado depois de muito tempo à deriva. Amei a sua luz, o seu rio, o seu castelo, a suas praças e ruas, as suas gentes, a sua modernidade, a sua história, a sua vida de cidade e os seus templos.
Um acaso levou-me à Missa do meio dia, na igreja de S. Pedro, há cerca de 3 anos. Estava cheia de jovens, crianças, adultos, escuteiros, pessoas mais velhas e outras como eu. Fiquei admirada e aguardei. Depois percebi. Celebrava-se a Palavra viva, o amor incondicional de Jesus de forma tão genuína e tão diferente que fazia com que todos tivessem vontade de fazer parte desse momento. O Padre olhava cada um dos participantes nos olhos e falava para todos sem distinção. Ali estávamos na mesma condição: cristãos e aprendizes. Voltei outra e mais outra e mais outra vez. Passei a observar a disponibilidade deste Pastor para com todos, não só os do seu rebanho, mas incluindo também os que fazem parte desta cidade sem obrigatoriedade religiosa.
É uma pessoa muito querida e respeitada por muitos. Para os que praticam o mau catolicismo e a má-língua - felizmente uma cota menor - é contestado e criticado. Os grandes nunca passam incólumes pela vida. São amados por quem tem causas e sonhos e odiados por quem a frustração é a causa principal das suas vidas...
Neste momento a notícia caiu de forma inesperada. O Pe. Carlos Ramos tirou uma licença sabática de um ano para fazer a tese de doutoramento em ”condições familiares na formação da identidade, expectativas e sucesso escolar". Depois, como ele diz, ”O futuro a Deus pertence. Irei para onde houver necessidade pastoral, sempre de acordo com a minha formação”. in O Torrejano
Mas ainda teve tempo de me trazer Sírius, mais uma causa para a qual teve disponibilidade e atenção, que ficará na minha estória como um acto coerente com o seu ideal missionário porque é nas coisas ditas pequenas que se vê o tamanho da alma de quem as pratica. E Jesus Cristo foi o Mestre mais disponível que o mundo teve. Quem interpreta a sua Palavra desta forma só pode estar no caminho certo percorrendo o seu trilho da forma mais correcta.
Sírius passou a estar em dois lugares do meu jardim. Lá em cima no céu e aqui ao pé de mim.

sexta-feira, 23 de julho de 2010
Merkabah

A Esperança em torno de si mesma; aprendo e aguardo.
Eu em torno de mim mesma; defino e avanço.
Duas metades que se encaixam e se tornam zodíaco impresso colocado no centro da mesa.
Viajo em círculo sobre a cidade, em torno do planeta, gravo na minha pele feérica sobre crepúsculos a espiral incandescente símbolo do infinito.
A esperança é uma estrela, a estrela faz um círculo, o círculo é o recomeço, outra esperança, a espera de um novo ensinamento, a esfera de um novo círculo, rotação do meu eixo, o caminho para a noite e para o dia, boca feita abóbada, olhos na roda da Merkabah.
Quebro padrões que se transformam em templos elucubrantes na rotação. Perfilo rosas denominadas pelo apreço dos tempos e raízes externas que observam os agressores de um certo silêncio. A Gratidão é a mais profunda maneira de receber a vida que se retoma - penso enquanto a realidade elemental circunda a aceleração do princípio.
O coração e o sorriso respiram no aroma da flor de laranjeira que se desprende desta magnífica cidade. Atento à batida das suas entranhas, testemunho centenários de história, e de novo o coração e o sorriso fazem sobressair as letras mais pequenas do sussurro em movimento.
Agora no interior do halo de luz dirijo-me para a estrela em rotação nas entranhas do mais profundo a que posso chegar e ascendo livre com todas as vozes de amor. Epicuro segue à minha frente, é recebido na pura certeza da trajectória serena da alma. Juntam-se caminhantes tocados pelo romantismo desta cidade e já predispostos a coisas ditas invulgares. Translúcidos e equidistantes assomam à entrada do portal de mãos abertas, símbolos perfeitos, desenhados no olhar de quem tudo sente. Aproximo-me radiante.
Parte da sombra improvável, mas real, é uma flor escondida a medo. Temos jardins e florestas na mesma frequência. Aprendemos com o medo a ter medo. Existem continentes submersos de medo. Somos o mais profundo dos abismos de medo. Rezamos com o corpo do medo. Prendemos a alma por fora e por dentro do medo. Não nos damos espaço em nome do medo. Não sabemos o que fazer com a nossa amplitude no medo. Rodeiam-nos pequenas satisfações que não nos completam à conta do medo.
A alma vai escrevendo cifras imortais, desenhando estrelas permanentes, que ousa não ter medo e com paciência vai adormecendo o temor que adulamos e nos faz fugir. É só um pequeno nada, nada mais. Pensamos que nos propõe uma difícil escalada. Por detrás do espelho descobrimos uma forma pequena e nua que se esforça por parecer grande. Quanto tempo é preciso para saber que o amor é imenso e possível? Solta-se uma frase que alguém disse: Se queres a verdadeira liberdade deves fazer-te servo da filosofia. Qualquer tipo de servidão?
Epicuro de novo, com o olhar de responso sobre o que perdeu, procura uma chama que se lhe extingue à nascença. Ou talvez não fosse bem isto que a sua tradução quis dizer. Há línguas difíceis e outras incapazes. O que compreendeu deixou de existir como a sua língua. O pássaro confundiu-se com a nuvem e esta com a sua realidade. Passeou em todas as paisagens, visitou todas as terras, não encontrou o sol das almas e despediu-se da terra sem o canto das cigarras. E uma lua muito serena desceu de um dos braços da Merkabah e deitou-se magoada sobre o sábio.
Tudo será como no princípio. A Esperança em si mesmo. Só o céu testemunhou o instante desta beleza e ficou sem precisar de um desejo extravagante para ser infinito. Os felizes agradecem e não têm medo. A liberdade é a ponte para a existência subtil que a poesia canta e a filosofia adorna.
O seu brilho salvou a menina e emergiu na direcção da anciã como um peixe voador. Ambas acenam das suas barbatanas aladas e partem assim como vieram. Sinto na pele um aroma de liberdade. Sou impregnada pelo movimento giratório que desprende todos os perfumes da terra e de mim. Eu sou terra com tudo o que ela é. Eu sou poesia com todos os ideais que a fazem. Eu sou a mais pura invenção do amor que cresce em todas as direcções. Eu estou por dentro do céu.
*ao som de Bora por Mich Gerber (Tales of the Wind, 2004)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Meditação

No agora de mim aconteço sobre um caminho de estrelas súbitas. Como um poeta nascido num rio imaginário (ou não) dou-lhes um som para que elas falem de dentro. Iluminam-me todos os sentidos num corpo preciso, constelação nocturna, um silêncio com sintaxe, um hiato de mim, uma véspera tecida em ponto cheio, uma pálida pele na sintonia dos cristais.
Faço de ouro a minha raiz que se prolonga pelo abstracto. Evoco o vestígio mineral, peço palavras de luz e um texto de entrelinhas que me invente e transcreva num calígrafo oriental. Sem ainda estar fico nas palavras do amor, numa quase parte, num ponto de passagem perfeito, na distância suficiente para intuir o som da outra parte do universo. Guio-me no desconhecido, angular perfeito, na Terra azul.
Descubro o sentido da força comum a todos os seres, escondido por ora na mente eterna.
Cabe-me dizer que a tua surpresa é feita de pérolas inquebráveis. De pérolas e não vidro donde nascem chamas trina. Expande-se a vontade de esclarecer o que não é sabido nas voltas de um enorme colar, nos esboços claros de uma cidade intraterrena que nos recebe para além da imaginação. Nada do que vês ou sentes é construído na invenção. Já existe, já é.
Cálculos feitos somam e sobram espaços por percorrer. Este infinito não cabe no infinito. Supomos a luz dentro da sombra, mas esta não é mais do que o descanso e distracção de quem pretende o concreto. Todavia, somos a mesma música imanente de milhares de esferas que desejam dar-se a conhecer para além dele. Perguntas-me se o que vês é fruto da tua loucura. Respondo-te que te é dada a imaginação para acreditares no que vês.
Sobram-te espaço e possibilidades, somam-se dias. Preparas-te para acontecer. Há muito que aguardava este canal para comentar a poesia interestelar que se faz. Demoraste, mas foi preciso. Apreciar as dimensões leva o seu tempo. Passaste a ficar no amor quando de muitas maneiras tentaste fugir dele. Grande aventura a tua… Sabes o que sou, um poeta nascido e renascido das possibilidades que orbitou, também na altura de mim, sob um caminho de chuvas súbitas, subindo a montanha. Uma pedra na mão, pés descalços e um continente a afundar. Porque contamos linhas e palavras? Escreve e sente. Até onde for que queiras ir. Nasce em cada palavra, descobre-te e descobre o véu, corrige depois, se quiseres.
Há um sinal para deixares o que não existe mais. Tu sabes as cores provisórias da malha terrena. Todas estas cores que pensas conhecer, assim como as palavras, estão de passagem. Ascenderão como tudo o que existe e outra linguagem de estrelas será falada. A poesia fala comigo, fala contigo, ela é. Tudo o que sentes veio de lá.
Escolho o coração que tens e as mãos de labor que sabes. Tu, poesia, sabes da luz que irradias mesmo quando feita na maior escuridão que é o que somos quando fechados por dentro. A tua fala parece-se com asas de renda no meio de um quarto esconso. O teu tamanho é o dos universos, incomensurável para um corpo tão acanhado. A tua Natureza é a ascensão do amor e o perfume é libertado em todo o espaço.
Pensas na lógica sintáctica deste texto e no que terás de rever, podes fazê-lo, melhorará a tua escrita. Estou na tua meditação porque foi sobre isto que querias escrever. Dolente movimento, esforço acostado na mente padronizada. Por enquanto será assim.
Podes retirar o que apontaste. Nos campos de cristal sem outra cor que fique no vento provisório do aqui, seja qual for o código ou cifra, sem estares ou seres, mas contigo a olhar para tudo o que vês, sente com a mesma certeza que nós, os poetas, temos das coisas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Etiquetas
- Absurdos (11)
- Animais (36)
- Aniversários (51)
- As minhas Galinhas (4)
- Concertos (12)
- Datas que marcam (12)
- Depressão (17)
- Desabafos (22)
- Diário de bordo (71)
- Divulgação (30)
- Estórias (19)
- Fotografias (37)
- Gatinhos de Rua (5)
- Imagens escritas (99)
- lugares (8)
- memórias (31)
- Meus sons (18)
- Músicas do Mundo (39)
- Na senda dos mestres (25)
- No céu (7)
- Os meus gatos (18)
- PETA (1)
- Poesias (22)
- Prosinhas (48)
- Sob o signo de EOS (40)
- Sobre Gatos (1)
- Sophia (3)
- Sublinhado (35)
