quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fim de tarde











PS- O Gabriel não compareceu à sessão. Ficou a dormir em cima da gaiola das rolas, no jardim da vizinha...

Fim de manhã

Jembé: Então???? Vamos lá?
Sírius: Estou concentrado, espera...

Sírius: Querias brincadeira, não era?
Jembé: Oooooooooo sim, mas olha aí a minha orelha. Não exageres!


...E depois veio uma rola poisar na árvore...


Sophia: Wowww eu também sou capaz de ir ali para cima!
Sírius: Ehehehehe tá bem tá bem... ora experimenta...

Sírius: Quem me mandou duvidar? Quem???? Espero que a Sophia se digne a descer e se lembre que um cão não pula para as árvores...


Sírius: A mana ainda lá está na nespereira. Cansei de esperar... é mais divertido fazer covas!!!!!


Doninha do lado de cá da câmara: Sírius!!!! Que tem o meu caninho mai' lindo?
Sírius: Nada, mãe-de-duas-patas, nada que possas entender... coisas de cão.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Acima de tudo, o amor



Ainda que eu falasse línguas,

as dos homens e dos anjos,

se não tivesse Amor,

seria como sino ruidoso

ou como címbalo estridente


Ainda que tivesse o dom da profecia,

o conhecimento de todos os mistérios

e de toda a ciência;

ainda que tivesse toda a fé,

a ponto de transportar montanhas,

se não tivesse Amor,

nada seria.

Ainda que distribuísse

todos os meus bens aos famintos

ainda que entregasse

o meu corpo às chamas,

se não tivesse Amor,

nada disso me adiantaria.


O Amor é paciente,

o Amor é prestativo;

não é invejoso, não se ostenta,

não se incha de orgulho.


Não se faz de inconveniente,

não procura o seu próprio interesse,

não se irrita, não guarda rancor.


Não se alegra com a injustiça,

mas regozija-se com a verdade.


Tudo desculpa, tudo crê,

Tudo espera, tudo suporta.


O Amor jamais passará.

As profecias desaparecerão;

as línguas cessarão;

a ciência também desaparecerá;


Pois o nosso conhecimento é limitado;

limitada é também a nossa profecia.


Mas quando vier a perfeição

desaparecerá o que é limitado.


Quando eu era criança,

falava como criança,

pensava como criança,

raciocinava como criança.

Depois que me tornei adulto,

deixei o que era próprio de criança.


Agora vemos como num espelho

e de maneira confusa;

mas depois veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é limitado,

mas depois conhecerei

como sou conhecido.


Agora, portanto, permanecem estas três coisas:

a fé, a esperança e o amor;

A maior delas, porém, é o Amor.


1 Cor 13, 1-13

domingo, 19 de setembro de 2010

A última celebração




Foto de João Carlos Lopes

Foto de João Carlos Lopes

Foto de João Carlos Lopes

Foto de João Carlos Lopes

Foto de João Carlos Lopes



Visita à Igreja de S. Pedro no dia em que o Pe. Carlos Ramos ministrou, pela última vez, a celebração eucarística nesta cidade. Edifício Interparoquial, Igreja do Salvador, Igreja de Santiago e esta, onde há 3 anos entrei pela primeira vez, foram em tão curto espaço de tempo e através da força inabalável deste homem,objecto de melhoramento e recuperação. A cidade detém um património mais rico e cuidado. Obrigada.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Templo


À noite quando me deito na rede sertaneja sou despertada por um rumor de asas quase voz que sopra ao meu ouvido.  Quero entregar-me à sensação daquela presença, mas desdobro-me em conjecturas, negoceio os medos e as dúvidas, reflicto na parte incomensurável que devo ser algures para, enfim, me aguardar no sono.
 
Ainda a resistir acendo um incenso e medito, tomo um banho e entoo uma oração, abraço uma luz que surge na escuridão do alpendre e olho para o jardim. Vejo a  vida passar por horas e tonalidades diferentes. Esta energia no espaço e fora dele conduz-me a um quase estado de graça que não compreendo porque me é dirigido.

 

Vão surgindo  presenças que se aconchegam,  Frida, Isabelle, Virgínia, Sophia, Camille… paixões em carne viva, amores no tempo errado, somas decrescentes para a solidão, mulheres descosidas, inadaptadas, indecifráveis, atingidas pela mesma sofreguidão escarnecedora do amor, mulheres iguais a Clarice deformada sobre as compras na cozinha, Marguerite deitada sob o ópio espiralado da sala, Agatha aparando crimes na relva do jardim, Isadora nua no palco da dor, Violeta tingida de sangue nas tapeçarias Mapuches, mulheres com quem me casei há muito, ficando-lhes com as estórias, tomando para mim o desgaste, a desilusão, os pedaços, as vidas em cruz e tudo o mais que tentei exorcizar  para que houvesse um final feliz, sem mágoas, em nome de todas. Não consegui. Olho-as com tristeza a olharem para mim de igual modo. Que fazemos? Porque continuamos?


Este bater de asas parece redimir a falta de amor-próprio que nos atingiu, fosse o talento grande ou pouco para aceitar o que não se compreende. Raciocinar com o coração, obrigar a mente a entrar no sistema circulatório e percorrer cada artéria para sentir. É nisto que penso enquanto a pré-sonolência me prepara para o templo. Espalho a fragrância do Lotus Branco na rede que me aguarda como um útero. Escolho-me para dizer o erro de todos os desencontros e esbarro na mudança de escala de cada voo que não passou da imaginação. Serei só e só antes de chegar.

A presença quase voz acompanha-me como fez com outras mulheres solitárias que se viram no fim. Haverá um abraço? Uma luz? Uma cara conhecida? E as mulheres? Onde estarão as mulheres? Luto acordada, volto à sonolência, fico livre no sonho. É por aqui o caminho das asas, sinto o ar que deslocam à sua passagem, inspiro a sua essência dourada, fecho os olhos.

 

Estou do lado de fora, entrelaçada no jardim. Pode ser isto, pode ser mais e outra coisa. A presença esclarece a parte irredutível de mim e apazigua as inconstâncias do meu himalaia pessoal, transmuta o fosso de himeneu onde todas as mulheres caíram. Agora estão salvas de qualquer provação e as suas enormes lágrimas guardadas no rio pelos devas que contemplam a longa viagem.

A presença das asas quase voz e de todas as mulheres que fui deita-se na rede sertaneja comigo e vigia o templo que nos aguarda do outro lado.




ao som de This Woman's Work, Kate Bush (The Sensual World - 1989)