sábado, 10 de dezembro de 2011

Contagiarte






Frequentar, usufruir, divulgar. Este centro de formaçao cultural portuense faz TODA a diferença. Um espaço numa cidade pródiga em circuitos alternativos de extrema qualidade. Seguir exemplos desta natureza faz-nos mais felizes!

Para mais detalhes naveguem para aqui  http://www.contagiarte.pt/  ;)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011



Ó firmamento de palavras
 
de muitos dialectos são
 
e das bocas
 
erguem rezas
 
suaves
 
que dão forma aos céus




 
Descem astros
 
descem luas
 
e entre as mulheres
 
estão
 
e andam sombras
 
à procura
 
na clara noite da mansidão



- Fausto in Diluídos numa Luz

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

La Guitarra


Empieza el llanto

de la guitarra.

Se rompen las copas

de la madrugada.

Empieza el llanto

de la guitarra.

Es inútil callarla.

Es imposible

callarla.

Llora monótona

como llora el agua,

como llora el viento

sobre la nevada.

Es imposible

callarla.

Llora por cosas

lejanas.

Arena del Sur caliente

que pide camelias blancas.

Llora flecha sin blanco,

la tarde sin mañana,

y el primer pájaro muerto

sobre la rama.

¡Oh, guitarra!

Corazón malherido

por cinco espadas.

- Federico García Lorca

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

(...)

Espera-me uma insónia da largura dos astros,

E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

(...)

Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam

— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;

Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam

— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;

Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,

E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

(...)
 
Álvaro de Campos  in  Poemas

domingo, 4 de dezembro de 2011

Confidências



Passei os meses seguintes a fazer tudo para aceitar o que me foi tirado. Concluí não estar preparada para a complexidade da vida depois da vida. Prefiro sofrer a despedir-me do mundo onde não tenho sido feliz mas, ainda assim, o único que conheço.

As hostes têm vindo a tombar na frente da guerra inevitável entre a vida e a morte. Este combate inútil, determinado desde a génese dos tempos, revolta-me e complica-me a existência precocemente fragilizada pela sombra das perdas.

Na trincheira do pânico vejo esgotar-se a pequena reserva de força. As emoções consomem-se para deixar passar a voz que subsiste apesar de todas as dores.

Sou uma sombra do que fui e enquanto esta chama persistir sobreviverei a qualquer morte  – rezo noite dentro.

Por quanto tempo mais?