terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Fazendo o possivel por lá chegar...




I feel part of the universe

Opened up to meet me

My emotion so submerged

Broken down to kneeling

Once listening

Voices they came

Had to somehow read myself  (...)





O corpo tem abóbadas onde soam os
sentidos se tocados de leve ecoando longamente
como memórias de outra vida.
O passado não está ainda pronto para nós,
nem o futuro; é certo que
temos um corpo, mas é um corpo inerte,
feito mais de coisas como esperança e desejo
do que de carne, sangue e nervos,
e desabitado de línguas e de astros
e de noites escuras, e nenhuma beleza o tortura
mas a morte, a dor e a certeza de que
não está aqui nem tem para onde ir.

Lemos de mais e escrevemos de mais,
e afastámo-nos de mais. pois o preço
era muito alto para o que podíamos pagar .
do silêncio das línguas. Ficaram estreitas
passagens entre frio e calor
e entre certo e errado
por onde entramos como num quarto de pensão
com um nome suposto. E, quanto a
tragédia, e mesmo quanto a drama moral,
foi o mais que conseguimos.

A beleza do corpo amado é, eu sei,
lixo orgânico; e usura, de novo usura;
com o oiro e com o mármore
dos dias harmoniosos construímos
quartos de banho e balcões de bancos;
e grandes gestos, agora, nem nos romances,
quanto mais nos versos! E de amor
melhor é não falar porque as línguas
tornaram-se objecto de estudo médico
e nenhuma palavra é já suficientemente secreta.

Corpo, corpo, porque me abandonaste?
«Tomai, comei», pois sim, mas quando
a química não chega para adormecer
a que divindades nos acolheremos
senão àquelas últimas do passado soterradas
sob tanta chuva ácida e tanta História,
tanta Psicologia e tanta Antropologia?
A memória, sem o corpo, não cintila nem exalta
e, sem ela, o corpo é incapaz de nudez
e de amor. Agora podemos enfim calar-nos
sem temer a solidão nem a culpa
porque já não há tais palavras.



Manuel António Pina in Separação do Corpo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed (...)

Eddie Vedder (Society)


sábado, 31 de dezembro de 2011



Não podes impedir que os pássaros da tristeza voem sobre a tua cabeça, mas podes, sim, impedir que façam um ninho no teu cabelo.

- Provérbio Chinês