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domingo, 8 de dezembro de 2013

A estória da miúda no retrato - por Manuel Miranda

Uma cidade. Nessa cidade uma praça coalhada de gente a quem o tempo se abre e que rasga o seu caminho por entre emoções muito recentes e estonteantes, uma revolução, a conquista da rua e da convivialidade, as causas universais, o soutro ainda. Tribos distintas fazem destes espaços a sua casa, a sua verdadeira casa comum. De um desses cafés vemos afastarem-se dois jovens em direcção a um dos jardins que marcam a periferia da praça. Ela. Cabelos azeviche, marrafa cortada em sanefa, forma de trazer a linha do horizonte ao rés-dos-olhos. Ele. Risco ao meio em cabelos louros e longos, máquina fotográfica dependurada dum ombro que o denuncia como um ladrão de imagens. Os passos transportam-os a um jardim fechado numa acolhedora associação de estudantes, onde um velho leão de bronze retirado de antiga composição escultórica vigia do seu canto o espaço arrelvado. Ele havia proposto tirar-lhe um retrato, ela aceitara. Ele considerara existir naquele rosto vagamente egípcio algo de enigma, de fotograficamente urgente e tentador. Ela acolhera com bonomia a proposta. Agora sentados na relva conversam enquanto uma pluma de fumo evola entrecortada por pausas de inalação, cigarro cá cigarro lá, criando uma ponte entre os seus lábios. Ele vai explicando o dispositivo cénico que entretanto imaginou. Braço sobre a relva afastando-se do corpo, atitude de repouso e comunhão com a terra, terra-mãe a quem ela entrega o seu rosto, ainda mais alvo pela frescura contrastante do verde. Um cão. Que por ali deambula naturalmente inebriado pelos aromas que as chaminés das cantinas contíguas entregam ao exterior. Enquadrar, focar: o filtro negro necessário à captura da imagem em película de infravermelhos tudo escurece. E o cão. Atraído pela presença humana, irrompe pelo quadro e cobre de generosa lambedela o rosto que parece oferecer-se-lhe, forma de beijar própria da espécie. Um sorriso que se abre no rosto deitado. Cão e fotógrafo irmanam-se por momentos no espaço que vai do desejo ao gesto.
De resto. Não há quem dê por certo ter o cão virado príncipe. A jovem beijada visivelmente não adormeceu, antes rescende na sua peculiar beleza. O fotógrafo, impenitente ladrão de imagens, esse tratou de revelar a película, fazer provas e guardar por muitos anos o que roubou e agora humildemente vem restituir. 
Mensagem para o autor:  Obrigada pela foto, pelas memórias e pelo texto delicioso.
                                         Um abraço GRANDE e  GRATO 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Foto de Manuel Miranda tirada cerca de 1975 nos jardins da AAC

Aguardo pela estória que contarás, a propósito deste retrato, que me fez sorrir assim.
Obrigada Manuel!

domingo, 21 de abril de 2013

Porque vos amo

 A estória das galinhas da minha vida.
❤♡♥♡♡♥♡❤

Tudo começou com Clarinha e o seu olhar  diferente do de todas as franguinhas que estavam na feira.
Eu queria passar longe das gaiolas, que usualmente estão lotadas e sem condições nenhumas para os animais ficarem as horas necessárias para o negócio, mas Clarinha sobressaiu por estar a leste  daquele burburinho de penas o que me "forçou" a parar...
A pouco e pouco foi empurrando todas as outras até chegar perto da grade e do meu dedo. Não fez nada. Fixou-me  muito séria, primeiro de frente depois de perfil ligeiramente inclinado.
Os seus olhos brilhantes apagaram  tudo o que havia à minha volta e levei-a para casa naquela manhã de 8 de Março.


Clarinha da estrita observância
--❦--❀
Toininha estava numa loja de artigos agrícolas e os seus vocalises chamaram-me de longe.
Andava na extremidade da enorme superfície à procurava de uma cerca de madeira para a casa de Clarinha quando decidi ir ver quem era a dotada de tanta variedade vocal. Mais uma vez o gaiolão estava cheio de galinhas, galos e frangos e para ter a certeza de qual delas saía tal cantoria experimentei uns cacarejos que memorizara minutos antes. A resposta foi imediata. Veio de asas semi-abertas,  abrindo caminho num passo bamboleante, numa cantilena que se juntou à minha. Reparei que a parte superior do biquinho estava partida. Assim que o funcionário entrou no recinto apressei-me a declarar que a levava sem dar mais espaço à estranheza da sua expressão. Uma mulher a cacarejar para uma galinha não seria normal, mas para mim foi o encontro com a penuda mais especial da minha vida.

Tornou-se amiga inseparável de Clarinha.

Dormiam empoleiradas muito juntinhas, esgravatavam em duo, passeavam por entre as couves asa com asa, atiravam-se aos vegetais picados com farelo e milho na mesma gamela embora cada uma tivesse a sua.

Gostou sempre de ouvir música. Cheguei a tocar para ela e nunca deixou de fazer os seus coros para mim. 

Toininha cantadeira
 ●~*

Entretanto tinham chegado ao galinheiro a Lua, a Estrela e a Gema. Esta era a mais tímida de todas. Isolava-se e enervava-se com o jeito desconfiado e mandão das duas primeiras. A Lua era a que mais refilava na hora da comida e esvoaçava sobre as outras. Um dia esvoaçou demais (foi a conclusão que tirei) e foi parar junto do Sírius. Percebemos que não a tendo comido terá só querido brincar com ela, matando-a. Foi um desgosto imenso. Chorei sentidamente com a visão da Lua deitada por baixo da nespereira de pescoço partido.

Passado uns tempos a Estrela deixou de comer. Aninhava-se na cama de palha e ficava absorta. Levei-a ao veterinário, não queria mais mortes no galinheiro. Receitou-lhe um remédio para juntar à água. Desconfiava que seria um parasita e o tratamento consistia em limpar-lhe o aparelho digestivo a fim de o expulsar. Ficou em casa, na transportadora. Dias e dias de vigia. Melhoras começou a tê-las, já comia com mais gosto. Preparava-lhe uma mix especial de vegetais da horta com milho e farelo. Cada vez melhor. Senti-a saturada da transportadora e levei-a para o galinheiro.  Vigiei-a e vi-a passear, debicar, beber água... Fiquei feliz. Horas depois encontrei-a morta, perto do poleiro, espojada no chão. Foi um choque. Chorei que me fartei. Liguei ao veterinário, queria uma explicação para o que acontecera, mas não houve nenhuma.


Lua e Estrela


A Gema adorava ir para a horta e eu não me importava nada que bicasse as courgettes, as alfaces, as couves, que passasse por cima dos tomateiros, ela era  feliz na sua timidez e eu não interferia. Ela era do campo. Por vezes chamava-a para lhe dar milho, mas só o ia buscar quando eu me afastava. Ao fim do dia recolhia-as para o galinheiro, mas comecei a achar estranho encontrá-la lá dentro sozinha. Teria ela  encontrado uma passagem que a levasse até lá? As redes não tinham buracos... a  cerca de madeira era alta e sem espaços por onde ela pudesse passar.

Dias depois viram-na voar como um pássaro da horta para o galinheiro, passando por cima da cerca, das redes e do Sírius. Gema já era grandinha, comia bem, punha  ovos lindos. Nesse dia do vôo fatídico viram também o salto de parkour que o Sírius deu, atingindo-a em cheio. Não lhe mordeu, mas  matou-a de susto. Chorei desalmadamente pela tão pouca sorte da Gema. Chorei pelo estado de confusão do Sírius.


Gema dos campos


Tempos depois ofereceram-me a Nefretite. Não nos escolhemos. A mão de quem a tirou do poleiro da quinta onde vivia decidiu-se por ela, por ser pedrês, adulta e bonita.  Ela não gostou e eu também não de a ver debater-se contra aquela decisão. A vida tem coisas assim... por lá andava um galaró que atacava todas as galinhas. Uma delas andava toda arranhada e eu perguntei o que poderiam fazer para o acalmar. Nada. Amanhã iria para a panela. Fiquei gelada. 

Na viagem de regresso jurei a Nefretite que NUNCA mais seria incomodada por galarós grandes ou pequenos, que no galinheiro reinava o sossego e eu só gostaria que me desse os seus ovos quando os pudesse pôr. 

Não me esqueço do que senti. Não me esqueço do que sinto. 
Amo cada uma delas por tudo o que são e pelo que acrescentaram à minha vida.


Nefretite casta diva

domingo, 20 de janeiro de 2013

Mau tempo no ramal


Não havia comboios e por isso o pandemónio estava instalado na estação da CP. Eram 17:30. Ao fim de duas horas de espera pelo desenvolvimento da situação corri para uma paragem de autocarro que o funcionário mais solícito me indicou onde estaria a ser feito o transbordo de passageiros. Aquele ia para o Porto. Andei meia hora de uma lado para o outro para não congelar até aparecer outro. Afinal ia para a Pampilhosa... Sentei-me encolhida no banco da paragem enquanto a chuva caía em barda.  No lado oposto e bem longe de onde estava consegui ver gente a entrar para um autocarro. E se era aquele? Corri com tudo o que tinha mais um guarda-chuva que não ajudou, atravessei  2 ruas  e a arfar disse Santarém. Era este!
Já quase a chegar à auto-estrada um senhor lembra ao motorista que não  parou na ponte de Santa Clara onde ele tinha pedido para ser deixado... Voltámos para trás com alguns passageiros inconformados a protestar e outros a economizar energias para o que ainda tinham pela frente. Ao fim de umas quantas voltas e voltinhas o homem sai mais feliz em frente ao Portugal dos Pequenitos e nós seguimos cabisbaixos de cansaço pela EN até Pombal. 

Seguiram-se mais voltas e voltinhas  ao fim de uma eternidade pela estrada cheia de trânsito até dar com o local onde dois casais iriam sair. O motorista sem saber o caminho  seguia as instruções de alguns passageiros  que não eram muito certas...

Depois de Pombal mais voltas e voltinhas até chegar à A1 a caminho do Entroncamento. Ok, já foi pior. Mais uma hora e estou em casa.
A música da rádio estava insuportável de alta e de estilo. De 4 em 4 faixas parecidas à la Guetta, passava a mesma à la Stargate  da playlist inenarrável da Rádio Comercial...

Chegados ao Entroncamento fez-se uma paragem longa em frente à CP. Afinal continuamos de inter-regional, dizem-nos. Linha 5 e está quase a chegar. Tudo para lá a passos largos.
Já na plataforma os imprevistos continuam e somos avisados pelos altifalantes que temos de mudar de linha e rápido porque o comboio vai entrar na 4. A humidade fria era muita... Deu para gelar até entrarmos no "está-quase-a-chegar".
Sim senhor, agora vai! E esboçando uns sorrisos de alívio seguimos para a próxima paragem nos Riachos. Quase a entrar na estação da vila o comboio dá um uivo rouco e um grupo de ferroviários que regressava a casa entreolhou-se desconfiado. Diz um: "Está a soprar o filtro"... O resto riu-se de nervoso. Depois disto ficámos às escuras e parados.
Demorou até a energia voltar. Deu para ouvir falar de vários episódios que preencheram o dia ligados a catenárias  por concertar, postes,  árvores e chapas a obstruir as estradas de ferro do país.

Retomámos o andamento aos soluços e devagarinho: Mate de Miranda, Vale Figueira (a maior parte dos ferroviários saiu aqui e a conversa do dia acabou).

Continuámos em silêncio para a etapa seguinte que para mim era o fim da saga: Santarém. Era 1/2 noite quando me vi na estação a caminhar para um táxi. Casa, quero a minha casa!

Será que até Lisboa foi tudo sobre carris?

sábado, 3 de novembro de 2012

Breve estória após um dia junto dos abandonados


Surge uma mulher jovem acompanhada de outras duas mais velhas com um caniche branco ao colo.

- É aqui que se entregam cães?

- ?

- Se é aqui que se podem deixar cães…

- Os cães e gatos que aqui ficam foram abandonados…

- Posso deixar o meu?

- Porque quer abandonar o seu cão?

- Eu não estou a abandonar!

(reparo que segura numa das mãos o livrinho das vacinas)

- Não? Então o que se passa para o “entregar”?

- É que não dá mais para o ter. Não dá. Tenho um bebé…

- Ele dá-se mal com o seu bebé?

- Não! Não! Antes pelo contrário!

- Então não estou a compreender (pensei que era mais um problema de origem financeira que aí vinha. Entretanto as mulheres mais velhas desaparecem.)

- O apartamento é pequeno… o cão até é do meu marido que o tem desde cachorro…

- E que idade tem agora?

- Quatro anos!

- … (continuo à espera de ouvir a verdadeira razão para a “entrega” do animal, que nesta altura já começava a estar nervoso. Os latidos dos outros cães nas boxes subiam de tom. Depois de quatro anos, pensei, o que se terá passado?)

- É que já não dá mais para o ter. Não dá.

- Mas o motivo, qual é?

- Olhe: ou dou amor ao cão ou dou amor ao meu filho!

??? E não pode dar aos dois? (estava pasma com o que tinha acabado de ouvir) O amor é ilimitado (ainda acrescentei)

- A razão é essa (reforçou a mulher)

Chega o tratador da associação que esclarece sobre os contactos que deve fazer e entrega-lhe um cartão com números de telefone.

- Vamos Bobby! (diz a mulher enfastiada). Amanhã volto cá.

-?!
 
Deixar o cão na beira da estrada ou no mato  seria muito pior, claro. A questão que me ficou a martelar foi a razão apresentada:  ou se ama o filho ou se ama o cão?

O amor é um sentimento multifocal. É, segundo a psicologia, uma confluência de paixão, intimidade e união. Está ligado a numerosas emoções e influencia os comportamentos. O amor, ele próprio, combina-se com sentimentos de fundo como a excitação, o bem-estar, o entusiasmo e a harmonia.
 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pão por Deus


 
"Ó tiazinha dá pão por Deus?
Se o tiver e não quiser dar, Deus lhe parta o alguidar!"
 


"Pão, pão por Deus
à mangarola,
encham-me o saco,
e vou-me embora"
 
"Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus."

"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz"
 
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."
 
        Quando os donos da casa dão alguma coisa:
    "Esta casa cheira a broa
    Aqui mora gente boa.
    Esta casa cheira a vinho
    Aqui mora algum santinho."
     
    Quando os donos da casa não dão nada:
     
    "Esta casa cheira a alho
    Aqui mora um espantalho
    Esta casa cheira a unto
    Aqui mora algum defunto."

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Que amor não me engana...

Nina a fazer de mãe adoptiva de Léah
À margem dos conflitos a real imagem de Amor Incondicional.
Grande lição a deste dia!


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Estória de um passeio no dia de S. Francisco

 Junto a S. Francisco nosso padroeiro e santo de eleição!
 
 Uma linda lua matinal
 
 Eu, a mais cantora de todos, dedico-lhe (à Lua) vários uivos
 
Sírius: Eu tomo conta das pequenas!
Eva: Eu fico muito sossegadinha...
 
Nina: Eu vou ali num instantinho...
 
 Eva:  Podes confiar em mim. Cá estou MUITO sossegadinha!

 Sírius: AAAAAAAAAAAAAAAAAALTOOOOOOOOOOOOO! Vejo algo a mexer!
 
 Eva: Não ralhes muito... eu fiz uma covinha... não resisti...
 
 Eva: ... e depois eu cheirei uma coisa que estava muito funda e cavei cavei cavei e depois tive que lá meter o nariz...  eheheheh mas isto lava-se e pronto!

Nina: Agora estás melhor... sentadinha no banco... e olha a sorte que tens! Vem aí uma mão cheia daqueles biscoitos especiais! 
Eva: Onde? Onde?
Nina:  Ai.... tu...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Clarinha, a sobrevivente



Clarinha no dia em que chegou a casa


Há estórias que não sabemos porque acontecem. Era uma gaiola com dezenas de poedeiras amontoadas quando uma delas, de súbito, se destaca. Não sei se pela cor de mel, se pelo olhar terninho, se pela sua determinação. Empurrou as outras, veio lá do fundo, abriu caminho e parou à minha frente. O que faço a seguir? Trago-a, claro!

Construir um galinheiro é a tarefa seguinte e que não imaginava ser tão trabalhosa (já me tinha ocorrido essa ideia, mas o tempo foi passando e não havia nenhuma Clarinha no horizonte). Barrotes, rede, arame, verguinhas, muita força de braços e alguns dedos cortados para a parte de "recreio"; pinturas, ajustes no telhado, construção de ninhos em madeira, compra de bebedouro e comedouro (que dê para mais porque uma galinha não se quer só), palha para forrar os ninhos e algum improviso para a área de abrigo e recolhimento. E que tal uma parede cor-de-rosa? E daquele lado um sol e umas luas pintadas? E também um rádio para escutarem música baixinho? Põem os ovos sem stress, acalmam o seu temperamento nervoso, convivem na paz. Pois assim será!

Enquanto isso, Clarinha viveu 5 dias e 5 noites dentro de casa, na maior transportadora de que os gatos, por vezes, são usuários. Um poleiro feito de uma alça larga e grossa de uma mala serviu para se acocorar e ver o mundo de outra perspectiva e o que se fazia nele (eu incluída fosse a cozinhar ou a escrever). Falou comigo e ensinou-me dois tipos de sons: o da conversa sem pressas e o do aviso que a ração estava entornada. Adormeceu várias vezes com festinhas que a "mãe adoptiva" lhe fazia no papo e por baixo do pescoço. Fechava os olhinhos e encostava o bico ao meu dedo indicador.



A primeira vez que viu um gato - o Jembé - assustou-se e chamou-me com um pio estridente. Corri para ela e disse-lhe que AQUILO era um gato muito querido e que só estava a ser curioso como os gatos devem ser, ou não serão gatos... Depois dos ânimos acalmados ela concordou e ele passou a dormir em cima da transportadora, tomando-lhe a guarda. Nunca mais se alterou, nem mesmo com a visão de duas novas cabeças que a espreitavam ocasionalmente, a da Sophia e a do Gabriel . Por isso, no dia em que foi viver para a sua casa nova não estranhou a excitação do Sírius, que latia e gania do outro lado da rede, sem lhe poder chegar (e foi melhor assim, não lhe passasse pela cabeça algum excesso...)
Importante:

As galinhas têm sido consideradas como uma importante fonte de alimento desde há séculos. As primeiras referências a galinhas domesticadas surgem no séc. VII a.C., em cerâmicas coríntias. A introdução desta ave como animal doméstico surgiu provavelmente na Ásia. Apesar de terem sido os Romanos a desenvolver a primeira raça diferenciada de galinhas, os registos antigos mostram a presença de aves selvagens asiáticas na China desde 1400 a.C. Da Grécia antiga, as galinhas espalharam-se pela Europa e os navegadores polinésios levaram estas aves nas suas viagens de colonização do Oceano Pacífico, incluindo a Ilha da Páscoa. A proximidade ancestral com o homem permitiu o cruzamento destinado à criação de diversas raças, adaptadas às diferentes necessidades.

As galinhas, ao contrário da maior parte das aves, não voam. Isso deve-se a diversos factores, entre os principais: não possuírem o músculo peitoral desenvolvido com mioglobina, grande peso corpóreo, e também que, quando tentam alçar voo, sentem cãibras.

Estas aves são animais curiosos e interessantes, tão inteligentes como, por exemplo, gatos, cães, ou macacos. São muito sociáveis e gostam de passar os seus dias todas juntas, a arranhar o chão com as suas patas à procura de alimento, fazer a sua higiene com banhos de terra, empoleirar-se em árvores e apanhar sol.
As galinhas são aves precoces. Por exemplo, as mães galinhas cacarejam para os seus filhos ainda dentro do ovo e eles cacarejam em resposta à sua mãe! A inteligência e adaptabilidade das galinhas torna-as especialmente vulneráveis aos aviários porque, ao contrário da maior parte das aves, os filhotes das galinhas podem sobreviver sem as suas mães e sem o conforto do ninho. Saem do ovo ansiosos por explorar o mundo e prontos para conhecer a vida.


in
http://www.centrovegetariano.org/Article-474-A%2Bvida%2Bdas%2Bgalinhas.html

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fim de manhã

Jembé: Então???? Vamos lá?
Sírius: Estou concentrado, espera...

Sírius: Querias brincadeira, não era?
Jembé: Oooooooooo sim, mas olha aí a minha orelha. Não exageres!


...E depois veio uma rola poisar na árvore...


Sophia: Wowww eu também sou capaz de ir ali para cima!
Sírius: Ehehehehe tá bem tá bem... ora experimenta...

Sírius: Quem me mandou duvidar? Quem???? Espero que a Sophia se digne a descer e se lembre que um cão não pula para as árvores...


Sírius: A mana ainda lá está na nespereira. Cansei de esperar... é mais divertido fazer covas!!!!!


Doninha do lado de cá da câmara: Sírius!!!! Que tem o meu caninho mai' lindo?
Sírius: Nada, mãe-de-duas-patas, nada que possas entender... coisas de cão.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A trepadora

Em todo o meu esplendor!


... à procura de novas emoções...

Hummmmm NÊSPERAS!!!!

E mais qualquer coisa ALI!

Vamos lá a ver se eu consigo descer...

Ups, quase a aterrar...

Mais um obstáculo e...

... uma rosa?????
Sim sim... L'Important, C'Est La Rose :)
Por causa destas coisas sinto que onde estou bem é aqui junto dos meus, no meu mundo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Momento

Kerouac: Oops. Tu abriste as persianas, já não aguentavas o calor (nós idem) que havíamos de fazer?

Kerouac: Eu porto-me bem. Juro! É só apanhar um bocadinho de ar.


Sophia: Hummmm interessante e refrescante!
Oriana: Eu gosto, mas não sei se devemos estar aqui empoleiradas...


Oriana: Wowwwwwwww então o mundo é assim?
Sophia: Claro, como nos livros...

Sophia: Ó doninha não dá para trocar de plano????
Oriana: Eu fico aqui a cismar como é que a minha paisagem mudou tanto.


Sophia. Vês? Muito melhor cá em baixo! Passei para primeiro plano. Fiquei bela!




Sophia: Deixou rasto! Peludão peludão cheiras mesmo a cão...


Oriana. Sophia, tu conheces aquele ditado a curiosidade matou o gato? Não preferes ver da janela?


Sophia: Tá bem tá... fica aí então... agora não me desconcentres.


Sophia: KEROUAAAAAAAAAAAC! Não aflijas a "mãe" !!!! Essa é a zona limite da casa. Passam monstros depois do portão.


Kerouac: Não ralhes! Eu vim para aqui porque os meus belos olhos azuis ficam bem com este fundo.


Kerouac: Mano, o que comes?
Gabriel: Tu sabes que adoro alface e esta aqui é um espécie muito melhor...


Kerouac: Estou a reflectir sobre o que vejo com os meus olhos AZUIS e não dois faróis à poltergeist... estas fotos não estão lá grande coisa...


Gabriel: Estão péssimas... eu tremido e de olho verde... mas a "mãe" quer guardar este Momento!

Jembé: Mas vocês são loucas? Ei pessoal com calminha, sim? Não quero baixas na minha Tribo!


Oriana: Então é ali que o peludão está instalado!!!
Sophia: Sim sim debaixo da laranjeira onde a mãe -de- 2- patas tem a cadeira. Anda cá ver isto...


Kerouac: Eia! Achas que podemos estar à vontade?
Gabriel: Claro, mano! Não há melhor vida que esta...
Sophia: Hummmm que cheiroso!

Gabriel: Isto é booooooooooooooooooooooom!

Oriana: Pessoal é por ali! Vamos lá espreitar o peludão...
Sophia: Ok... já lá fomos e fui EU que descobri primeiro!
Kerouac: E se déssemos a volta pelo outro lado?
Gabriel: Eheheheh Isto é que é vida!!! Fim de tarde, uma brisa para refrescar, eu coço as costas no chão e quero lá saber do peludão!
******
O que se passou a seguir a máquina não conseguiu registar por falta de luz (o flash não foi suficiente). O Jembé foi o último a deixar a janela e encaminhou-se directo para as roseiras onde esteve uma boa meia hora a cheirar milímetro a milímetro folhas, caules, picos e pétalas. Sírius foi-se chegando de mansinho para ver que peludinho era aquele. Quis ladrar, mas Jembé olhou-o sem pestanejar e com uma displicência que desarmou o jovem peludão. 

Estava aquele gatarrucho de costas voltadas para ele, sem mostrar qualquer medo porque o importante eram as rosas... Rendeu-se. Saltitava à volta do líder da Tribo, abanava a cauda de felicidade, o que para os outros não era interpretado da mesma maneira - os gatos quando abanam a cauda dão sinal de profunda irritação - mas para o sábio Jembé, que traduz as línguas todas dos bichos, aquilo era felicidade e pronto. 

Depois de muito cheirar pela primeira vez na vida as roseiras todas, deitou-se muito esticadinho e permitiu umas brincadeiras com patas por parte de Sírius. Deram à pata durante algum tempo (que o Jembé determinou...) e a partir daqui o resto da tribo juntou-se-lhes. 

Depois disto acredito que fundaram uma família especial. 5 peludinhos+1 peludão para os dias que aí vêm.