segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sonho Azul I

Da estória interrompida do lado B, de Ámen, deu-se continuidade à do lado A, de Hotel, que passou a ser outra coisa... Enquanto o Carlos Maria Trindade produzia o lado espiritual (Ámen) o Pedro Ayres Magalhães ficou com a incumbência de produzir o lado carnal (Hotel).

Acontece que com o corte de um dos lados, o outro não fazia sentido. Não há corpo sem espírito. Para mim não.
Passou-se, então, ao plano B do lado A.
(anotações do meu diário de estúdio)
Retomei os ensaios com o Pedro Ayres de Magalhães, mas já num outro registo. Eram outras letras, outras músicas, embora ainda minhas, mas com modificações que o Pedro ia acrescentando e introduzindo temas da sua autoria... O Pedro tinha o objectivo de colocar este disco no top para que, pelo menos, “uma canção pudesse ser assobiada por um operário da outra margem” (sic). Assim, nasceu Sonho Azul. Podia ser assobiada por qualquer pessoa, idade, condição social, raça, sexo. Iria agradar a todos.

Eu sei que a ideia do Pedro era sincera. Ele pensou sempre em grande. Projectos como os Heróis do Mar e, mais tarde, Madredeus tinham esse fim. Atingir tamanha dimensão no mercado musical, de forma a fazer parte da memória colectiva e o país trautear melodias-para-sempre.

Estávamos no final de 82, muitas expectativas para o mundo em geral e para todos, em particular. Eu suspeitava que não ia ser o meu ano aquele que se aproximava...

*
Música: Love is All We Have - Jesca Hoop

2 comentários:

  1. Desculpa se fujo ao tom sério!
    Mas "A Produzida" para mim,tem muito que se lhe diga!!!.. lool

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