segunda-feira, 26 de abril de 2010

Despertar de Vénus


A única missão possível de um ser é realinhar-se à sua própria Fonte de luz. Uma alma que se eleva em consciência, eleva o mundo. Se todos os homens da Terra aplicassem o conhecimento que recebem neles próprios, já teriam realizado a missão do Cristo na Terra.
Raphael de Arcturus
* Deuter Hari - Venus Rising

sábado, 17 de abril de 2010

Arrumações... e de um baú sairam os Trovante!

Se a memória não me falha esta foto foi-me dada pelo João Gil aquando da gravação da Lenda da Estrela (1995) do álbum Espanta Espíritos. Tenho a certeza que o tema que estávamos a cantar era A Mourejar (aquele "primo" do alaúde assim indica). Este concerto dos Trovante foi realizado na Aula Magna, em 1979, mas as circunstâncias e detalhes sobre o mesmo não os tenho. Sei que ao abrir outro baú esta imagem saltou-me para as mãos e mais umas quantas gargalhadas soltaram-se pela casa.
Da esquerda para a direita: João Nuno Represas, Artur Costa, Luís Represas, eu, João Gil (de bigode) e Manel Faria. :)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mandala


Na verdade poderia ser chamada arquétipo da totalidade.

Carl Gustav Jung in Mandalas, - volume IX/1

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os companheiros da RUTE

Começámos por nos juntar porque gostamos de tocar juntos. Achámos boa ideia revisitar o reportório que fez parte da nossa adolescência. O Zeca é intemporal e a música tradicional portuguesa também. Para além disso há o mesmo fascínio pelos criadores latino-americanos (Violeta Parra, Atuhalpa Yupanqui, Victor Jara, José Martí...)

Foi preciso arranjar um nome e ele surgiu de forma deliciosa, da cabeça do João Carlos: Né Ladeiras & os Companheiros da Rute. Sim, fomos companheiros, mas nunca nos cruzámos nessa estrada . Já "investigámos" todas as memória e concluímos que nem a Brigada Victor Jara nem o Cancioneiro tiveram esse encontro. Foi preciso tempo e amadurecimento para que acontecesse agora :)

A ideia de fazer um concerto, no dia 24 de Abril, surgiu naturalmente. Este marco histórico foi muito importante nas nossas vidas. Não seríamos o que somos se não o tivéssemos experienciado e queremos celebrá-lo à nossa maneira.

Está marcado para o auditório da Biblioteca Gustavo Pinto Lopes (um ilustre torrejano a quem esta cidade deve muito) sábado 24 pelas 16h. Tragam outro amigo também para cantar connosco!

Foto de grupo da esquerda para a direita: Mário Rosa, eu, João Carlos Lopes, Pedro Vitorino e Pedro Dias

- Fotos de Élio Batista-

domingo, 11 de abril de 2010

Corsária II - Monte da Virgem, RTP1,




RTP, 24 de Junho de 1991 - durante os ensaios (Cruz e Pirata do álbum Corsária) para o programa da manhã transmitido dos estúdios do Monte da Virgem. Horas mais tarde aguardando um comboio na estação de Gaia.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A estação de Pégaso

 

Fotografia de Tim Flach

Uma viola encostada à cadeira, um mapa desdobrado no chão. Tantos caminhos à espera de datas imprescindíveis, e eu aqui, atrás da vidraça, a desenhar teias rendadas no vapor da água. Rascunhos de chuva caem sobre o baloiço, que em dias melhores faz de Pégaso. Nessas alturas sou toda asas. Entre o céu e o chão, olhos fechados, cabeça para trás, cabelos entrelaçados nas crinas do meu cavalo, sonhos tão altos, voos antecipados, a pensar que o amor é como o espaço onde Deus vive. O amor que desconheço e já marcado em mim sugere-me a porta que abro sem reservas. Por isso existiram poetas e missionários - penso enquanto dou voltas e voltas - cantores e resistentes.

No princípio adivinhamos as variações que se debatem, descobrimos que a intensidade do sol pode ser a mesma das ferventes cores de Outono. Não quero invernar para sempre, como a tia-avó Guilhermina sem nascentes nem florações. Não quero ser roubada na atenção dos olhos chorosos como os da tia Milú. O amor não pode ficar enterrado no fundo da boca, labirinto a espreitar no fim dos dias, acabado em dor, como o da minha tia Zira.
Posso ser uma soma de coincidências e desastres, mas hei-de renascer em cada vida. Não vou ficar sob a tortura do disfarce, antes ser vento e desalinho, ir mais além do que puder, ser a água que bate nos vidros, vibrar no choque contra as trevas.

O telefone toca ao longe, ouço passos nas escadas, alguém me chama. Dizem-me que estão a convocar todos os militantes para fazer o ponto da situação. Os pára-quedistas de Tancos já ocuparam o comando da 1.ª Região Aérea, em Monsanto; as tropas do RALIS ocuparam posições nos acessos à auto-estrada do Norte e no Aeroporto da Portela; militares da Escola Prática de Administração Militar ocuparam os estúdios da RTP no Lumiar. Já saiu um comunicado do EMGFA a avisar que usará da força. Desço pelo corrimão, pego na mochila marroquina, olho para o mapa, não há tempo para isso. Respondo o essencial quando me perguntam para onde vou. Sei lá o que vai acontecer. Se calhar todos para um estádio, como no Chile… volto atrás abro a gaveta dos colares e anéis, lá está a cruz da minha 1ª comunhão. Uso-a muitas vezes. Noto os sorrisos ao canto da boca dos que me avaliam a preto e branco. Rio-me mais do que todos juntos pela falta do rótulo que desejam colar.

Saio de casa, passadas rápidas, a rever os episódios anteriores. Como se chegou a este estado? Estamos à beira de uma crise muito grave. Assim que cheguei à sede informaram-nos que o Soares tinha ido para o Porto. Mas a que propósito? Querem conquistar a “comuna de Lisboa” com os apoios do norte. Estão à espera de violência e sangue. Querem ilegalizar o Partido. Querem que a Assembleia se torne num Parlamento para escolherem um governo e fazer leis. Querem a divisão entre Norte e Sul. Querem… Não sei o que querem. Para quando o futuro e se deixam de teatros e conspirações? Que perda de tempo e de gente.

Penso na minha amiga Paula que foi embora. Não aguentou a falta de promessas cumpridas, nem o epíteto com que era premiada fosse ela himba ou portuguesa, nem a falta de condições para olhar por si, nem o tombo da porta férrea, que nunca mais iria atravessar. Resolveu numa manhã de Outubro não voltar às aulas, nem dormir outras tantas noites na pensão da baixa. Esperou pelo Sud- Express, que passava em Coimbra B ao fim da tarde e rumou para norte. Holanda ou Suécia, só chuva e neve, porque deprimir ao sol é muito pior. Mágoa por mágoa eu quero que o frio congele a porta que nunca bate, assim não se nota tanto a falta de truques bem feitos – disse-me quando se despediu. Depois acenou  debruçada na janela e mandou um beijo para o ar.
“Eu hei-de ir no voo de Pégaso – gritei da plataforma da estação – “para onde o tempo seja intenso como uma estrela limpa pelo fogo”.

 

Fotografia de Tim Flach
*
Eu vim de longe, eu vou p’ra longe, José Mário Branco (Ser Solidário, 1982)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A fuga

 


Dafne - Nicoletta Ceccoli

O caçador persegue vestígios como Apolo perseguia Dafne. De tanto querer descobrir amarra uma voz provisória na chacina. Desconhece o que não vê do outro lado.
Que mais se pode inventar?
A fuga possível.

sábado, 3 de abril de 2010

Dia Sétimo

Outra estória, outras horas.

Houve uma música que caiu no poço dos desejos.

Foi para junto da moedinha e de um coração de feltro.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dia Sexto

Os instrumentos de
Vasco Ribeiro Casais


Mostruário com o tocador



Da esquerda para a direita: guitarra acústica de cordas de nylon, nickel harp, bouzuki e guitarra folk. Em baixo, gaitas-de-foles.

Close up de nickel harp com Vasco

Detalhe de bouzuki com Vasco

Gaitas de foles : galega e mirandesa
 

Plano picado(heheheh) da guitarra folk (cordas de aço) e bouzuki


Outro, desta vez sobre nickel harp, gaitas e bouzuki
Vasco, obrigada pela tua dedicação, talento e força e, também, pela direcção musical tão bem assumida!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia Quinto


Entre nuvens e abertas estou a viver a experiência mais mística que alguma vez testemunhei. Tenho uma faringite que me faz tossir a noite toda, andar de lenços e gargarejos, mas chegada a hora das gravações desaparece como se nunca tivesse existido. É claro que as cascas de cebola ajudam a aliviar e os exercícios de aquecimento vocal da Shelley Kristen, também. (Obrigada Joana Negrão pela indicação deste método do qual me tornei fã!)
No entanto, se este lugar não tivesse a energia que tem, a presença tão forte de Deus, não seria possível cantar como se nada me tivesse atingido.
Gravei um take ao vivo com o Vasco e o Francesco. Adoro estas gravações sem clicks e separações. Nem sempre é possível, mas quando se proporciona é MUITO bom usufruirmos da onda que é gerada pelo ensemble.
*
Ainda há um dueto que será gravado, mais para a noite, com uma voz que adoro. É a primeira vez que nos juntamos e sei que vai dar certo.

A Lara é assim uma voz Graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande!!!

E já tinha saudades disto: as gargalhadas que dou com ela!


Fotos de Lara e Né por Rita Roquette Vasconcellos

Dia Quarto

Hoje pensei: o que farei com o tempo quando estas sessões acabarem? Como vai ser deixar de "viver no castelo"? O melhor de fazer um disco é esta convivência sã e respirar música a toda a hora. É ir descobrindo as músicas que deixaram de ser sozinhas. Para mim, é este recolhimento interior, à parte do quotidiano, em comunhão profunda com as aqueles que fazem parte do trabalho, que fica na memória dos meus dias.
Em Agosto de 2001 passámos 1 mês na Quinta do Sol, na Beira-Baixa. Uma casa rústica para dormir e um celeiro adaptado para estúdio. O Vasco, logo pela manhã, tocava gaita de foles na borda da piscina e estudava as partes de guitarra debaixo do telheiro.

O Nuno praticava afincadamente os ritmos no djembé e no sabar, mais abaixo, num milheiral.

O Paulo Nunes da Silva e eu passávamos horas no celeiro/estúdio a desenvolver ideias para os arranjos.

De quando em vez descíamos à "civilização" para fazer compras na feira de Belmonte e repor o stock alimentar.

Quando o calor apertava, ou era preciso refrescar ideias, umas braçadas na piscina resolviam esses impasses criativos.

Havia luas do tamanho da terra e estrelas cadentes a passear pelo céu.

Da Minha Voz foi um disco muito abençoado!

Depois veio a promoção e a seguir os concertos, mas o que me fez falta foi a vida comunitária da quinta onde, a todas as horas, se respirava música e a pureza das coisas inspirava o que de melhor havia em mim.



A visita de Carlos Carreira ao estúdio


O caminho que tomamos para o castelo
As duas primeiras janelas são da régie. As outras, da sala onde gravamos






Francesco, um dos cavaleiros da Távola :)



Tocando os últimos compassos antes de gravar

Os microfones que captam a guitarra e o bouzuki do Vasco


O micro do contrabaixo do Francesco

Revendo mais matéria ensaiada

Cheios de power - naquela base... lolol

Ok. O Tiago é um Poeta Imenso, mas como tocador de Nickel Harp...
 

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