
A cultura artística está intimamente relacionada com a experiência humana que provém, por sua vez, de uma vivência histórica comum. As pessoas que a compartilham têm aspirações de um futuro seja qual for a sua visão sobre o mesmo. No caso específico de Portugal tem havido um enfraquecimento sucessivo da produção cultural e uma crescente carência de vínculos dentro da comunidade. Para essa construção futura diversificada é necessária, também, uma memória histórica, memória essa que se encontra debilitada.
Perante esta evidência de fraqueza, em que nos encontramos, a imposição de outras manifestações culturais ganham espaço. Conscientes ou não, iniciámos uma travessia desértica de auto estima, que nunca esteve tão baixa, assim como uma incapacidade de defesa em relação aos interesses nacionais. A diversidade cultural é bem vinda desde que dialogue com a identidade cultural específica. O que não é o caso. A nossa realidade colectiva está sob a direcção predominante de uma cultura invasiva, não só ao nível ideológico, técnico e social como em várias manifestações artísticas. A ideia geral é a de que nos encontramos num imenso atraso cultural sendo necessário recorrer a fórmulas externas para preencher esta lacuna. Esquece-se que as fórmulas foram elaboradas numa realidade histórica e social diferentes da nossa, e que rejeitam a possibilidade de um desenvolvimento cultural próprio.
Em Portugal há muitas expressões artísticas que se devem considerar. Em todas as valências a sua manifestação tem dependido de uma originalíssima criatividade individual (que existe sem margem para dúvida), do nível técnico de quem a executa (adquirido apesar da falta de condições) e da frustrante incapacidade na sua difusão que é praticamente nula e detrói qualquer incentivo artístico.
Seja na cultura erudita ou popular a máquina dos meios de comunicação desliga-se da função social que deve desempenhar. O que existe e chega ao público, numa assustadora maioria, é o formato mercantilista da cultura-de-pastilha-elástica. Salvo honrosas excepções que nos identificam em pequenas clareiras mundiais, a exportação e o consumo interno passa pelo “Mateus Rosé” artístico, que não é o melhor vinho como se sabe, que esta terra produz… e o estrangeiro que desconhece a produção de qualidade opina sobre o que consome, coisa que é recebida com admiração e respeito pelos portugueses.
Vejamos o exemplo das fórmulas de sucesso que pintaram o rosto do nosso país com cores que não são exactamente as únicas que lhe pertencem, do destino, da tristeza, da tragédia e melancolia, quando se sabe que o nosso perfil psicológico é constituído por muito mais do que isso.
Também se verifica que uma parte da produção artística se rege sob as normas dessa cultura importada o que leva a esquecer a nossa língua e o trabalho que poderia ser dado a muitos criadores de palavras. Cantar em inglês é provinciano e demonstra uma enorme falta de personalidade. O registo argumentativo, que se repete com a ideia de conquistar o mercado internacional porque o inglês é uma língua universal, está gasto. Apontar defeitos à nossa língua como sendo difícil de cantar é absurdo. Como explicar, então, que os estrangeiros sintam a fonética do fado? Não é preciso travesti-lo para possuir um lugar próprio no mundo. Justo seria até que se alargasse a outros estilos e géneros porque se há local do planeta em que existe variedade musical de raiz é, sem dúvida, o nosso país.
A miopia das sucessivas políticas culturais surtiu numa constante desculpa de descendermos deste conteúdo genético e de termos tido um passado.
Aprendemos a ter vergonha de ser como somos e enquanto este processo auto destrutivo decorre não há uma vontade política para o parar. Até agora não se construíram os instrumentos essenciais para competir com a cultura estrangeira que utiliza as multinacionais para controlar e influenciar o mercado. Pelo contrário! Permitiu-se que às mesmas fosse dado o direito de decidir sobre o “catálogo nacional”, despedir artistas, pressionar carreiras, impedir que uma série de criadores desafie os seus limites. Verdadeira colonização a que nos sujeitámos, de negociar entre 25 a 40% de música portuguesa nas rádios. E negociámos com quem? Com que poder?
Continua-se a investir em programas degradantes, que estimulam a banalidade, a violência, o culto do corpo, uma virtualidade que não se adapta à nossa realidade e apela ao consumismo exacerbado. O desejado plano para o desenvolvimento económico, político e social nunca será, deste modo, nem justo nem duradouro.
Sem medidas de fundo, que passem por uma legislação competente e uma educação verdadeiramente preocupada com o futuro, torna-se cada vez mais difícil preservar o património material e imaterial, incentivar a produção artística, e recuperar uma sociedade desvalorizada.
Diversidade cultural é a via para que, todos diferentes, todos iguais, tenhamos consciência da nossa identidade.
Perante esta evidência de fraqueza, em que nos encontramos, a imposição de outras manifestações culturais ganham espaço. Conscientes ou não, iniciámos uma travessia desértica de auto estima, que nunca esteve tão baixa, assim como uma incapacidade de defesa em relação aos interesses nacionais. A diversidade cultural é bem vinda desde que dialogue com a identidade cultural específica. O que não é o caso. A nossa realidade colectiva está sob a direcção predominante de uma cultura invasiva, não só ao nível ideológico, técnico e social como em várias manifestações artísticas. A ideia geral é a de que nos encontramos num imenso atraso cultural sendo necessário recorrer a fórmulas externas para preencher esta lacuna. Esquece-se que as fórmulas foram elaboradas numa realidade histórica e social diferentes da nossa, e que rejeitam a possibilidade de um desenvolvimento cultural próprio.
Em Portugal há muitas expressões artísticas que se devem considerar. Em todas as valências a sua manifestação tem dependido de uma originalíssima criatividade individual (que existe sem margem para dúvida), do nível técnico de quem a executa (adquirido apesar da falta de condições) e da frustrante incapacidade na sua difusão que é praticamente nula e detrói qualquer incentivo artístico.
Seja na cultura erudita ou popular a máquina dos meios de comunicação desliga-se da função social que deve desempenhar. O que existe e chega ao público, numa assustadora maioria, é o formato mercantilista da cultura-de-pastilha-elástica. Salvo honrosas excepções que nos identificam em pequenas clareiras mundiais, a exportação e o consumo interno passa pelo “Mateus Rosé” artístico, que não é o melhor vinho como se sabe, que esta terra produz… e o estrangeiro que desconhece a produção de qualidade opina sobre o que consome, coisa que é recebida com admiração e respeito pelos portugueses.
Vejamos o exemplo das fórmulas de sucesso que pintaram o rosto do nosso país com cores que não são exactamente as únicas que lhe pertencem, do destino, da tristeza, da tragédia e melancolia, quando se sabe que o nosso perfil psicológico é constituído por muito mais do que isso.
Também se verifica que uma parte da produção artística se rege sob as normas dessa cultura importada o que leva a esquecer a nossa língua e o trabalho que poderia ser dado a muitos criadores de palavras. Cantar em inglês é provinciano e demonstra uma enorme falta de personalidade. O registo argumentativo, que se repete com a ideia de conquistar o mercado internacional porque o inglês é uma língua universal, está gasto. Apontar defeitos à nossa língua como sendo difícil de cantar é absurdo. Como explicar, então, que os estrangeiros sintam a fonética do fado? Não é preciso travesti-lo para possuir um lugar próprio no mundo. Justo seria até que se alargasse a outros estilos e géneros porque se há local do planeta em que existe variedade musical de raiz é, sem dúvida, o nosso país.
A miopia das sucessivas políticas culturais surtiu numa constante desculpa de descendermos deste conteúdo genético e de termos tido um passado.
Aprendemos a ter vergonha de ser como somos e enquanto este processo auto destrutivo decorre não há uma vontade política para o parar. Até agora não se construíram os instrumentos essenciais para competir com a cultura estrangeira que utiliza as multinacionais para controlar e influenciar o mercado. Pelo contrário! Permitiu-se que às mesmas fosse dado o direito de decidir sobre o “catálogo nacional”, despedir artistas, pressionar carreiras, impedir que uma série de criadores desafie os seus limites. Verdadeira colonização a que nos sujeitámos, de negociar entre 25 a 40% de música portuguesa nas rádios. E negociámos com quem? Com que poder?
Continua-se a investir em programas degradantes, que estimulam a banalidade, a violência, o culto do corpo, uma virtualidade que não se adapta à nossa realidade e apela ao consumismo exacerbado. O desejado plano para o desenvolvimento económico, político e social nunca será, deste modo, nem justo nem duradouro.
Sem medidas de fundo, que passem por uma legislação competente e uma educação verdadeiramente preocupada com o futuro, torna-se cada vez mais difícil preservar o património material e imaterial, incentivar a produção artística, e recuperar uma sociedade desvalorizada.
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