sábado, 2 de janeiro de 2010

2010


O ano que agora finda não deixa a muitos de nós gratas recordações. Muitas vidas foram destroçadas pela crise que se abateu sobre o mundo; o desemprego foi talvez o monstro maior que comprometeu a existência de milhares de famílias; os baixos salários geram fome e a pobreza e impedem de construir uma vida digna, matam o presente e o futuro. Foi um ano em que as mais básicas aspirações de muitos seres humanos deixaram de poder ser satisfeitos porque vítimas de exclusão, da injustiça, da violência.


Um novo ano é sempre motivo de esperança. Queremos que o ano de 2010 seja mais que uma mudança no calendário. A passagem de ano é a ocasião em que olhamos à nossa volta e formulamos o desejo de que as coisas melhorem. Os discursos que ouvimos nesta quadra têm como palavra chave "esperança". De facto, se à vida humana falta esse farol que é a esperança, o presente fica sem horizonte, fechado no negrume do desespero. Sem dúvida que é essa virtude que nos faz caminhar sempre em frente por mais escuro que seja, no momento, o nosso percurso.


Mas se importa proclamar a esperança, como nesta ocasião costumam fazer os dirigentes dos povos, é necessário que isso não seja apenas um ritual que em nada de palpável altera a realidade. Será necessário que os responsáveis políticos, ao falarem de esperança, não remetam para um futuro incerto a realização dos legítimos anseios dos homens. É necessário que tomem, no presente, medidas que levem à real transformação do mundo para que o desespero não seja a doença mortal que afecta tantos.


O ano que agora finda não foi um ano de tranquilidade social. Deixa um lastro de desemprego, de pobreza, de corrupção que aumentam a conflituosidade e envenenam a nossa vida comum. O pessimismo e a incerteza instalam-se em muito homens. Talvez que a profunda crise em que caímos nos faça acordar para a necessidade da construção de uma nova realidade social. Entremos, pois, em 2010, olhando em frente, apesar de tudo. Façamos da esperança a chama que ilumine o labirinto para onde vamos. Mas também, que a nossa consciência cívica saiba exigir àqueles que proclamam a esperança nos seus discursos que tomem medidas eficazes para que a vida humana seja possível no presente. Bom ano.




Pe. Carlos Ramos


in editorial do jornal O Almonda

5 comentários:

  1. Muita força é o que é preciso...
    E uma boa dose de boa disposição,
    para idealizar,e atingir.
    Mais que não seja com uma boa gargalhada para aquecer a Alma.

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  2. Agir,sim. Agir.
    É o cerne da questão..

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  3. (Suponho que não seja coincidência a recente chegada da Jeanne ,à Nave!...)

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Dentro da nave

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