quinta-feira, 4 de abril de 2013

O medo que Deus criou

Como a chuva de hoje assim caíram imagens de um tempo que não entendo porque foi interrompido.


Há traumas que não desaparecem,feridas que não saram, saudades que cavam fundo nas memórias que podiam até ser  felizes, mas de tão fundas que são essas saudades, transformam-se em dor permanente.

Não entendo a morte.
Não sei para que serve.

Tenho medo que não haja nada do outro lado.

Se não encontrar aqueles com quem tive afinidades nesta vida de que serviu ter nascido?

 Esta era a minha mãe verdadeira, que me amou, cuidou de mim, me deu colo e protecção.
 Eu era a sua filhinha.


E nunca, mas nunca aceitei o que fizeste, Deus.

Não se arranca uma mãe assim de uma infância que mal começou a ser.

Não se lança uma filha para um inferno de vida.

O que acha Deus que poderei sentir? Agradecimento?

O que achas Deus que Te possa perdoar? Acreditar que olhas por mim?

Deixaste que a minha mãe se fosse para sempre e eu caísse num pântano de medos onde me afogo lentamente.

Eu estava a começar a ser alguma coisa para compreender a Tua história e Tu deixaste que a luz se apagasse pela sombra da morte que criaste.

Não sei se algum dia poderei continuar a falar Contigo. A ferida é imensa e Tu não me ajudaste.



*Alzira de Azevedo Sobral partiu no dia 13 de Julho de 1963 depois de um grande e doloroso sofrimento.
Dois dias antes de morrer disse num soluço à minha mãe biológica: minha querida irmã, a tua filha era a minha filhinha...


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