domingo, 7 de junho de 2009

3 vozes e contracanto



Estavam as 3 à boca de cena. A princípio não as distingui, só havia um projector ligado de cor púrpura e uma vela de 7 dias no meio. Perguntei-lhes o que faziam ali. E eu o que fazia?


Virgínia procurava pedras. Isabelle servia um chá de menta. Camille esculpia um torço.



Virgínia - A vida é um rio escuro. Passei a minha vida a contemplá-lo. O mundo não é mais do que um rio frio e escuro que se transforma em nuvem.


Camille - Os escultores são inábeis. A perfeição está na pedra. Entreguei a minha vida a um amor falso que de tão perfeito parecia verdadeiro.


Isabelle - Idealizei um deserto que só tivesse superfície, que não engolisse pessoas. Idealizei na poesia um céu de tal forma azul que o mundo parecia mundo.


Murmurei: Desfiei o rosário dos desencontros e lambi as minhas feridas. Não vou ver o eclipse da lua da minha varanda, nem o rio da cidade perder o pulso. Não vai haver tempestade que faça tombar as árvores da avenida. A luz do sol vai coroar de novo o céu e uma brisa suave ondulará a minha saia.
Partirei no meu cavalo de fogo para o espaço invisível. Meu.

*
Música: Triangle Walks - Fever Ray

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