segunda-feira, 1 de junho de 2009

Alhur


"Do som e estrondo, ou música, que cuidarão os antiguos ser causado com o movimento dos ceos”



“Muito deu que cuidar aos philosophos antiguos se por ventura os ceos com seu movimento causavão algum som e doce consonância a armonia de música, porque consideravam que como o som se causa do tocamento movimento tardo, ou apressado, com que dous corpos se roção hum com outro, donde nace neste concertado acidente, que chamamos som, o qual recebido no ar como em subjecto se vai multiplicando por elle, atê nossos ouvidos, que são os orgãos com que a alma percebe o tal objecto e se faz aquillo que chamamos ouvir”. “Alhur” é esse “concertado acidente” dos “ceos”. (1982)

O meu primeiro trabalho a solo. Eu queria cantar sim, mas com Aquelas pessoas do meu lado. "Tens coisas para dizer que os outros não sabem dizer nem como fazer para o dizer... tens coisas tuas, um mundo ... para que serve se fica inerte?" Os nómadas de alma não podem estar sós na contemplação. De que serve a herança se não a vivermos? De que serve a meia vida?
"Não é assim que sentes, nunca foi". Ficar pela metade arrítmica a tactear distâncias...
Lembrei-me da herança. Que herança?
Da minha avó paterna: a teimosia de ser.
Do meu avô materno: o som da terra.
Da minha mãe: a rebeldia cinematográfica e a voz.
Do meu pai: o voo interrompido e uma guitarra.
Para que serve eu ser na música? Não serve. Impede que a tua vida se esvazie. E os danos? As escoriações? Sim... porque isso vai acontecer!
A Dor - tem um Elemento de Vazio -
Não se consegue lembrar
De quando começou - ou se houve
Um tempo em que não existiu -
Não tem Futuro - para lá de si própria -
O seu Infinito contém
O seu Passado - iluminado para aperceber
Novas Épocas - de Dor.
(Emily Dickinson)
Faz parte...

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