quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quase afirmado



Rodava a torneira calcinada do lavatório na tentativa de acabar com os pingos de água que caíam como lágrimas quando lhe vieram à ideia todas as estórias que quis cantar ao longo dos anos: Kahlo, Eberhardt, Claudel, Woolf…

No caderno de papel reciclado escrevia noite dentro sobre como as iria resgatar para este lado, os tons e acordes que as diferenciavam, a melodia abstracta que cada uma sugeria para renascer, as imagens que iam ficando mais nítidas depois de ter construído sobre todas elas, a sua própria vida.

Mulheres que lhe falavam ao longo das horas, dentro dos seus sonhos, nos gestos de rotina dos dias, que riam e choravam com ela, que a afastavam dos que a queriam de outro modo.
Mulheres a quem prometeu dar voz ao seu silêncio.

Mas quem as quer verdadeiramente ouvir?

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