sexta-feira, 5 de abril de 2013

Gatinhos de rua

Mesmo os que desejam deambular para conhecer o mundo deviam ter um lugar onde pudessem  descansar e repôr forças que todos os guerreiros da vida necessitam.
    Todos os gatinhos de rua deviam ser amados.

    Mesmo os que desejam deambular por vontade da sua natureza felina deviam ter um lugar onde pudessem descansar e repôr forças que todos os guerreiros da vida necessitam.

 Estes seres notáveis são guerreiros em cada segundo que sobrevivem. 
  Alguns têm a protecção de alguns humanos mais sensíveis que não se esquecem de colocar  água e comida num qualquer cantinho da rua.

   Outros não têm a mesma sorte. Entregues a si próprios e pior que   isso entregues à malvadez da ignorância humana...

    ... já souberam o que era ter uma casa ou uma família e sem saberem porquê estão sozinhos, abandonados, não são mais aquela coisinha fofa que em tempos diziam que eram. 
Cresceram ou adoeceram e deixaram de ter piada.

   Encontro muitos olhares como este. 

   Os gatos não são traiçoeiros, nem maus, nem falsos, nem diabólicos. 

   Têm emoções que transmitem com uma fidelidade desconcertante. Não dissimulam, não são invejosos, não mentem. 

   Olham-te como te vêem. 

    No meio do caos humano afectivo podem ser a paz que nunca sentiste e o riso que nunca foste capaz de dar por falta de um bom motivo.

    A sua inocência é comevedora e a forma como se conecta à que perdemos pode ajudar a revelar o que há de melhor em nós.

    Gatinhos deixados ao acaso porque já nasceram assim ou porque os quisemos assim, são responsabilidade nossa. O que podemos fazer?

    Esterilizar para não haver mais errantes que ninguém quer ver... tirar das ruas e adoptar os que carecem por um lar. Debater-nos por leis que o atraso de uma certa mentalidade demora a aprovar.

    Para que olhares como este não se apaguem no minuto a  seguir.


    Olhares que nos lembram que um dia fomos todos iguais.

    O que foi que perdemos?

1 comentário:

  1. «A PORTA BRANCA

    Por detrás desta porta,
    uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,
    estou eu ou o universo que eu penso.
    Deste meu lado, dois olhos que vigiam
    os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica
    e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.

    Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,
    e pode o pensado universo infindamente ir-se,
    que para mim o que hoje importa
    é aquela olhada vaga porta.

    Que ela seja só como a vejo, a porta branca,
    com duas almofadas em recorte,
    lançada devagar sobre o vão do jardim,
    onde o gato, por uma fenda aberta
    pela sua pata, tenta ver-me,
    tão alheio a versos e a universos.»

    Fiama Hasse Pais Brandão, CENAS VIVAS, Lisboa: Relógio D’Água Editores, Abril de 2000, página 35.

    ******************************************************************************

    Primavera plena en tu puerta, Né.

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