sexta-feira, 15 de março de 2013

O erro de Alice

Alice Vieira é uma escritora de reconhecido mérito que não precisava, nesta altura da sua vida, do passo em falso que acabou de dar. Bastava que se desfiliasse do PCP.




Não entendo que esta mulher inteligente, com um passado respeitável e liso, tenha caído numa incoerência tão primária.

Fica a areia dentro do sapato de Alice, dúvidas que despoletou com este acto infantil, que possivelmente a incomodará nos próximos tempos. Ou talvez não. Do lado de lá do espelho a vida é bem melhor, um garante da sobrevivência, mais a mais protegida pelos seus novos amigos, como a sinistra Idália Serrão (ex-Moniz) que em pulinhos de  contentamento a congratula por se ter juntado às hostes do PS. 

É verdade que os autarcas nem sempre são sinónimo de partidos, para mim não.
Conheci um que é exemplo disso. Chama-se António Rodrigues, tem sido presidente da câmara de Torres Novas, pertence a um partido que é uma mentira, mas como autarca teria sempre o meu voto.
Fez um trabalho digno desse nome, digam o que disserem, e foi dos que provaram que a vontade política nem sempre está ligada aos aparelhos partidários duvidosos...

Para Alice ganhar respeito teria que ter entrado na cena de outra maneira. Não o fez. Possivelmente será expulsa do partido e não vai ficar nada bem na fotografia. Mil vezes "rescindir contrato" do que esta garotice pegada. Concorre pelo PS sendo do PCP? Vai votar contra as propostas do partido que milita porque se sentou no banquinho rosa que lhe ofereceram?

Alice política, Alice à volta do tacho, Alice no país desmaravilhado, Alice que acrescenta mais 1 ponto na descredibilização da classe política que continua a esmifrar este pobe povo...


 Não sou tão militante como era o meu marido, pago as quotas, dou o meu nome para determinadas coisas, nas eleições se me põem nos últimos lugares da lista, pois com certeza.
Às vezes, chateio-me com eles, mas quando vou votar, começo a pensar e a minha mão  não vai para mais lado nenhum. Tenho sempre na cabeça uma frase que o Mário Dionísio  me disse e que me tocou: «Os erros dos nossos amigos nunca nos hão-de pôr do lado dos nossos inimigos.» Por isso, mesmo que os meus amigos cometam erros, e cometem, e eu esteja em desacordo, chega uma altura em que penso no essencial, largo o acessório e
fico com eles, porque no essencial defendo o que o PCP  defende.

Que desilusão Alice.



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