Holoteta é uma pessoa ligada ao computador da nave espacial que, através dos seus pensamentos, dirige a sua deslocação "por meio de um conjunto estabelecido de curvas através de uma série conhecida de configurações". Algumas holotetas transcendem a mera experiência de ligação com o computador. in O Bailado das Estrelas de Spider e Jeanne Robinson (1979)
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
No espelho
Ohhhhhhhhhh - sussurrou Alice - e agora o que faço das minhas fantasias? O que vai ser da minha existência reflectida???? Vou fumar o meu cachimbo de água para pensar numa solução. Também os Reis e Pensadores assim tertuliavam enquanto a multidão se consumia...
Espero que a Lagarta se lembre que o meu dedo fura-bolos nem sempre é firme.
Talvez escorregue pelas orelhas do Coelho e lhe coloque uns brincos, talvez corte a palavra à incoerência da Duquesa e lhe pregue a afonia, talvez ofereça umas asas à Lebre para nunca ser mordida por caçadores, talvez me sente à mesa de chá nas Vicentinas, e convide o Rei a mudar para Chapeleiro e o Chapeleiro para Relógio. Talvez aponte para o nariz da Rainha e lhe retire a chiclet pegajosa que encravou a agulha do gira-discos.
Com toda a certeza o Gato vai para o meu colo porque é Risonho. E enquanto isso vejo uma enorme Borboleta!
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Música: She Blinded Me With Science - Thomas Dolby
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Música: She Blinded Me With Science - Thomas Dolby
Sonho Azul II
O Pedro chamou imensos talentos para a gravação. A ficha técnica é impressionante:


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Mário Laginha (piano)
Tomás Pimentel (trompete e arranjador dos metais)
Caínha (clarinete, saxofone tenor)
Edgar Caramelo( saxofone alto)
António Emiliano (piano)
Ricardo Camacho (desta vez nos sintetizadores)
Paulo Pedro Gonçalves (guitarra eléctrica)
Tózé Almeida (bateria)
E, claro, o próprio Pedro Ayres no baixo, guitarra acústica e baixo Roland (uma descoberta bastante utilizada...)
O som ficou a cargo do meu companheiro da Banda do Casaco, Tó Pinheiro da Silva.
A metodologia consistia em gravar um tema e misturá-lo de seguida. Assim, e de um modo geral, gravava-se a secção rítmica, bateria e baixo, passava-se para o piano e/ou guitarra, depois sintetizadores e por fim o “cluster” dos sopros. Acrescentavam-se pormenores como Sinos do Yamaha GS1, por exemplo e, por fim, as vozes. Aqui começou a contrariedade porque era preciso cantar, em tempo record, a voz principal e os coros...
Estava a ir por um caminho com que não me identificava. Estava a cantar com uma voz que não era a minha. Lembro-me bem do esforço que fazia para colocar as minhas notas de contralto em algo assustadoramente agudo. Lembro-me das lágrimas para dentro e de pensar que ainda podia fazer frente àquelas sessões de angustia. Mas o Pedro era irredutível.
“Um Phil Spector”, pensava eu já a caminho da derrota perante as exigências de vária ordem, que não subscrevia, “um Phil Spector que decidiu encarnar no Pedro”.
Música: Worlds Collide -Apocalyptica
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sonho Azul I
Da estória interrompida do lado B, de Ámen, deu-se continuidade à do lado A, de Hotel, que passou a ser outra coisa... Enquanto o Carlos Maria Trindade produzia o lado espiritual (Ámen) o Pedro Ayres Magalhães ficou com a incumbência de produzir o lado carnal (Hotel).
Acontece que com o corte de um dos lados, o outro não fazia sentido. Não há corpo sem espírito. Para mim não.
Passou-se, então, ao plano B do lado A.
Acontece que com o corte de um dos lados, o outro não fazia sentido. Não há corpo sem espírito. Para mim não.
Passou-se, então, ao plano B do lado A.
Retomei os ensaios com o Pedro Ayres de Magalhães, mas já num outro registo. Eram outras letras, outras músicas, embora ainda minhas, mas com modificações que o Pedro ia acrescentando e introduzindo temas da sua autoria... O Pedro tinha o objectivo de colocar este disco no top para que, pelo menos, “uma canção pudesse ser assobiada por um operário da outra margem” (sic). Assim, nasceu Sonho Azul. Podia ser assobiada por qualquer pessoa, idade, condição social, raça, sexo. Iria agradar a todos.
Eu sei que a ideia do Pedro era sincera. Ele pensou sempre em grande. Projectos como os Heróis do Mar e, mais tarde, Madredeus tinham esse fim. Atingir tamanha dimensão no mercado musical, de forma a fazer parte da memória colectiva e o país trautear melodias-para-sempre.
Estávamos no final de 82, muitas expectativas para o mundo em geral e para todos, em particular. Eu suspeitava que não ia ser o meu ano aquele que se aproximava...
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Eu sei que a ideia do Pedro era sincera. Ele pensou sempre em grande. Projectos como os Heróis do Mar e, mais tarde, Madredeus tinham esse fim. Atingir tamanha dimensão no mercado musical, de forma a fazer parte da memória colectiva e o país trautear melodias-para-sempre.
Estávamos no final de 82, muitas expectativas para o mundo em geral e para todos, em particular. Eu suspeitava que não ia ser o meu ano aquele que se aproximava...
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Música: Love is All We Have - Jesca Hoop
domingo, 14 de junho de 2009
Sem tradução
Sabia da partida, mas não do reencontro. Vivi a impaciência das memórias, mas não a festa dos meses. Tu, rio, continuaste para em breve voltar gota transformada de um oceano vasto e profundo. Dos teus silêncios chegaram-me ideias de estórias, refrões rabiscados, tanto para cantar... e nesse crepúsculo antigo concebi sonhos expirados por outros. Atravessaste comigo esse meio dia esquivo e ensolarado e a tua sombra tornou-se em luz dos meus olhos.
O amor por alguma coisa é assim. Para o sentimento mais transparente não há tradução, sente-se sem mais nada que o explique e a sua verdade é desconhecida, senão no momento da mágoa. Por isso dizias para o intuir num aceno e entregar-me com gratidão, mas sem o tentar domar, ou mudar a rota. Ficar somente e ser como as cordas da guitarra quando delas se solta um acorde. Cada nota é particular, sendo juntas e não tão próximas. Nada é de livre vontade sob uma pele que não a nossa.
No reencontro ainda desconhecido, tento acordar todos os pensamentos, todos os desejos, todas as impressões que sem palavras repousam numa alegria serena. Aquilo que mais poderei amar ficará sublinhado quando deixar de o ser. E saberei quando chegar a ser o que não acontece para matar o tempo, mas para me oferecer horas vivas e despertar o ainda em mim adormecido sem encher o meu copo vazio. Assim minha alma te receba e o meu ego me esqueça.
Conheci a tua complexidade e o que me deste foi a essência simples, a força de um amor maior do que qualquer poder. O que há em ti de inesgotável, a centelha infinita tantas vezes contemplada, levou-me ao sagrado que sai de ti. E se para mim tudo isto é vago, também não vou procurar torná-lo claro. (En)cantaste todos os sons e com eles me redesenho num céu. Minha Música sou eu contigo. Agora. Aqui.
O amor por alguma coisa é assim. Para o sentimento mais transparente não há tradução, sente-se sem mais nada que o explique e a sua verdade é desconhecida, senão no momento da mágoa. Por isso dizias para o intuir num aceno e entregar-me com gratidão, mas sem o tentar domar, ou mudar a rota. Ficar somente e ser como as cordas da guitarra quando delas se solta um acorde. Cada nota é particular, sendo juntas e não tão próximas. Nada é de livre vontade sob uma pele que não a nossa.
No reencontro ainda desconhecido, tento acordar todos os pensamentos, todos os desejos, todas as impressões que sem palavras repousam numa alegria serena. Aquilo que mais poderei amar ficará sublinhado quando deixar de o ser. E saberei quando chegar a ser o que não acontece para matar o tempo, mas para me oferecer horas vivas e despertar o ainda em mim adormecido sem encher o meu copo vazio. Assim minha alma te receba e o meu ego me esqueça.
Conheci a tua complexidade e o que me deste foi a essência simples, a força de um amor maior do que qualquer poder. O que há em ti de inesgotável, a centelha infinita tantas vezes contemplada, levou-me ao sagrado que sai de ti. E se para mim tudo isto é vago, também não vou procurar torná-lo claro. (En)cantaste todos os sons e com eles me redesenho num céu. Minha Música sou eu contigo. Agora. Aqui.
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Tribo Zen na varanda com vento de fundo.
sábado, 13 de junho de 2009
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